Cliente vai poder checar sua dívida em site do Banco Central

Os clientes bancários poderão consultar pela internet todas as informações que constam sobre eles na central de risco do Banco Central.

Hoje, o sistema registra informações sobre todas as pessoas que têm dívidas totais acima de R$ 1.000 com instituições financeiras. Identifica o valor, os credores e a parcela que está em dia e a que está em atraso.

A ideia, segundo Fernando Pereira Dutra, chefe do Departamento de Atendimento Institucional do BC, é que a consulta esteja liberada a partir do fim do primeiro semestre do ano que vem.

O BC finaliza o desenvolvimento do sistema que garantirá segurança na transferência dos dados.

Segundo Dutra, cerca de 35 mil clientes foram a uma das unidades da instituição solicitar esses dados no ano passado.

A outra alternativa disponível atualmente para quem não pode ir pessoalmente ao BC é mandar uma correspondência com firma reconhecida e cópia autenticada de documentos, como carteira de identidade e CPF.

Com o novo canal que será criado na própria página do BC, essas informações poderão ser acessadas rapidamente e sem burocracia.

“A sociedade está descobrindo a utilidade dessas informações para o cidadão. Elas ajudam no próprio exercício de tomar crédito de forma consciente”, diz Dutra.

Segundo ele, por ser uma fotografia do endividamento pessoal no momento, as informações da central de risco podem auxiliar os clientes a negociar melhores condições de crédito com o comércio. Os lojistas não têm acesso ao sistema do BC.

“É uma informação que se somará aos dados do cadastro positivo”, diz o técnico do BC. Segundo ele, enquanto a central mostra o estoque das dívidas, o cadastro fornece ao comércio de uma forma geral o histórico de pagamento dos consumidores.

Fonte: Folha de São Paulo

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A política oficial depende de mais endividamento

O governo tem induzido os consumidores a se endividarem. Evidência disso é o fato de que 60,9 milhões de brasileiros já têm dívidas de no mínimo R$ 1 mil, segundo o Sistema de Informações de Crédito do Banco Central (SCR). E mais 40 mil devedores engordaram as estatísticas em maio e junho.

Estimular endividamento é uma política arriscada, dados os índices de inadimplência das pessoas físicas, que são os maiores do ano (7,9%, em julho) e cresceram em relação a 2010 e 2011, segundo o Banco Central. A inadimplência mede a qualidade do crédito e ameaça famílias, empresas e países. Há 30 anos, a insolvência atingia o Brasil, que lutava com a falta de reservas.

Técnicos do governo têm argumentado que, como proporção do Produto Interno Bruto (PIB), o endividamento não é alto. Mas outros fatores têm de ser levados em conta, como emprego e renda real. E esta depende da estabilidade dos preços ou inflação sob controle.

As medidas de aferição do endividamento têm sido aperfeiçoadas, mas isso não basta. O SCR recebia dos bancos informações sobre clientes que tomavam créditos de valor igual ou superior a R$ 5 mil por mês. A partir de janeiro, o valor caiu para R$ 1 mil, onde estão a maioria das operações de crédito.

Entre os fatores que justificariam mais endividamento estão as pesquisas da Serasa, indicando que a inadimplência tende a cair a partir de 2013. É provável, portanto, um aumento da demanda de crédito ao consumidor. Os baixos níveis de desemprego dos trabalhadores também justificariam a tomada de empréstimos.

No entanto, os fatores contrários ao endividamento têm grande peso: os juros cobrados das pessoas físicas ainda são muito elevados, em termos reais, apesar da queda da Selic. E a prorrogação da queda das alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos e produtos da linha branca pode estimular alguma forma de consumo não essencial.

O problema é que as pressões inflacionárias ressurgem: o índice de aluguéis (IGP-M) subiu 1,43%, em agosto, e 6,07%, nos primeiros oito meses do ano; e as projeções de inflação oficial (IPCA) são de 5,65%, nos próximos 12 meses. O resultado será a perda do poder aquisitivo das categorias de trabalhadores que não conseguirem a reposição salarial plena.

Parece incerta a obtenção de maior crescimento do PIB por meio do aumento do consumo e do endividamento. De qualquer forma, se ocorrer, as pressões sobre inflação e juros poderão voltar com mais força, em 2013, como ocorreu em 2011.

Fonte: O Estado de São Paulo

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