Bancos e redes de varejo dão redução de até 90% em dívidas

 

Com a inadimplência ainda alta e resistindo a ceder, e os sinais de que as vendas de Natal podem ficar abaixo do esperado, bancos e grandes redes de varejo correm para renegociar dívidas em atraso. As ofertas vão de descontos que chegam a 90% do valor devido a parcelamentos em até 36 vezes sem juros – há um ano o teto era de 18 meses. Por trás disso, dizem especialistas, há uma mudança de cultura no mercado, que não mais se restringe a recuperar parte dos créditos vencidos, mas busca resgatar os devedores para que eles voltem a tomar financiamentos e comprar.

- Hoje não há apenas a cultura de cobrar, e, com a concorrência maior, aos bancos não interessa perder clientes em um ambiente de nível de emprego elevado e juros em queda, pois suas margens estão mais apertadas. Cada banco tem sua política, mas todos estão mais flexíveis – diz Leonardo Coimbra, sócio-diretor da Central de Recuperação de Créditos (Cercred), que trabalha para as maiores instituições financeiras do país.

O mesmo vale para os consumidores, especialmente os da nova classe média, que têm no crédito importante meio de acesso a novos produtos e serviços. E essa disposição mútua já aparece nos números.

Com 5 dias, banco já cobra

Segundo Coimbra, historicamente as ações de recuperação de crédito nesta época do ano resultam no recebimento de 3% a 5% dos débitos. Este ano, porém, em virtude da maior mobilização a Cercred tem registrado índices de recuperação de 8%, que devem chegar a 9% até o fim do mês.

Com isso, mais pessoas estão deixando os cadastros de devedores dos birôs de crédito. De janeiro a outubro, o número de exclusões de devedores do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), administrado pela Boa Vista, cresceu 11,33% sobre o mesmo período de 2011. Já o de inclusões avançou 6,74%.

- No ano passado, os prazos chegavam a 18 vezes, e agora vão até 36 meses – afirma Jair Lantaller, presidente do Igeoc, instituto que reúne 17 empresas de recuperação de crédito no país. – Antes nós só recebíamos dívidas com mais de 60 dias de atraso, hoje estamos recebendo dívidas a partir de 5 dias. Os bancos estão tentando ficar mais próximos do cliente devedor.

Para Fernando Cosenza, diretor de Inovação e Sustentabilidade da Boa Vista Serviços, o cenário de juros baixos permite maiores descontos. Isso, mais a manutenção do emprego e a maior cautela do consumidor na hora de tomar crédito, favorece a renegociação.

- Já a partir de agosto tivemos aumento no número de renegociações, que se refletiu numa maior retirada de nomes da nossa lista de inadimplentes – diz Cosenza.

O número de pessoas com dívidas em atraso registradas no SCPC deve fechar o ano com aumento de 4% a 5%, contra alta de 22% em 2011. No mutirão de renegociação de dívidas organizado pela Boa Vista na semana passada, em São Paulo, muitos consumidores comemoravam as condições oferecidas pelos credores.

Serasa: “tendência positiva”

O técnico em sistemas elétricos Ozilde de Jesus, de 44 anos, por exemplo, obteve desconto de 80% sobre sua dívida na Caixa Econômica Federal, que se acumulava desde 2007, tendo chegado a R$ 17.343,78. Depois da renegociação, o saldo devedor caiu a R$ 3.571,07, a serem pagos com uma entrada de R$ 396,04 e 12 parcelas de R$ 294,28.

- Obtive um desconto bem melhor do que eu esperava. Já vai dar para começar 2013 com o nome limpo – diz Ozilde.

Desconto ainda maior conseguiu a supervisora de seguros Laurici Souza de Moraes, de 33 anos, que abateu 90,5% de sua dívida de R$ 598,10 com a Vivo. Após a renegociação, ficou em R$ 56,46.

- Descobri que tinha essa dívida desde 2004 há apenas dois meses, quando o pedido de uma nova linha telefônica foi bloqueado por causa desse débito em atraso. Agora vou conseguir instalar minha nova linha – conta Laurici.

Já a dona de casa Michele Souza Eduardo, de 23 anos, renegociou uma dívida de R$ 922 com o Santander, datada de 2007. Ela caiu a R$ 422.

Para Maria Zanforlin, superintendente de serviços ao consumidor da Serasa Experian, tanto as pessoas endividadas como os credores estão mais dispostos a negociar:

- A queda da inadimplência não é um processo rápido, mas está acontecendo, o que indica que estamos no caminho certo. A tendência é positiva.

Fonte: O Globo

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Empresa usa van para “caçar” devedor

 

Empresas especializadas em informações de crédito estão literalmente indo atrás dos devedores para promover a renegociação de dívidas. A Boa Vista Serviços acaba de criar um mutirão itinerante. São vans ou containers que vão percorrer capitais do País, de Porto Alegre (RS) a Fortaleza (CE) para promover o encontro entre devedores e credores.

“Vamos aonde o consumidor está. Queremos levar esse benefício para várias regiões do País”, diz o diretor de Sustentabilidade da Boa Vista Serviços, Fernando Cosenza. O mutirão de renegociação itinerante estreou semana passada em Curitiba (PR). Cada dia a van estaciona num local de grande fluxo de pessoas.

A concorrente Serasa Experian criou um feirão virtual de renegociação de dívidas. “É uma nova modalidade de renegociação e começou duas semanas atrás. As empresas ainda estão em processo de formalização”, diz o superintendente de Informações sobre Consumidores da empresa, Vander Nagata.

Segundo ele, quatro empresas credoras já aderiram ao feirão online. Por esse sistema, o devedor recebe uma carta com a senha para se comunicar online, saber a proposta da empresa e fazer sua contraproposta. A vantagem é poder renegociar a dívida na hora mais conveniente, sem precisar ir a um local específico. Enquanto os birôs de crédito intensificam as renegociações, os bancos oficiais, a Caixa e o Banco do Brasil (BB), estão dando uma colher de chá para os clientes de suas linhas de crédito a fim de evitar a inadimplência.

Desde agosto, o BB oferece 180 dias de carência para o primeiro pagamento de duas linhas de crédito, a de salário e a de crédito automático. A primeira prestação será quitada só no ano que vem. “Queremos dar fôlego maior ao nosso cliente”, diz o vice-presidente de Negócios de Varejo, Alexandre Abreu.

O executivo está otimista e projeta forte aceleração do crédito destinado ao consumidor no último trimestre do ano. Serão ofertados entre R$ 12 bilhões e R$ 14 bilhões para pessoa física de outubro a dezembro, o triplo do registrado em igual período de 2011. Até setembro, a alta foi de 23,3% e a meta é fechar o ano com R$ 120 bilhões emprestados, 32% mais que em 2011.

Segundo o executivo, a inadimplência do BB para as linhas de crédito destinadas ao consumidor é de 2% para atrasos acima de 90 dias e está abaixo da média do sistema financeiro. Abreu explica que o calote menor resulta de modelo mais rigoroso de concessão, que não foi flexibilizado por ocasião do corte das taxas de juros. O BB também decidiu privilegiar linhas de menor risco, como crédito consignado, que tem inadimplência bem menor.

A Caixa também está otimista com o fim do ano. De janeiro a setembro, o banco emprestou R$ 70 bilhões aos consumidores e planeja oferecer mais R$ 24 bilhões neste trimestre, encerrando o ano com R$ 95 bilhões de crédito ao consumo. A cifra está 51% acima da do ano passado. “Estamos dando foco nas linhas de crédito para bens duráveis e produtos que permitem as famílias alongar o perfil da dívida, como o consignado e o crédito no qual se dá um bem em garantia”, diz o vice-presidente de Finanças e Mercado de Capitais, Márcio Percival Alves Pinto.

Assim como o vice-presidente do BB, Alves diz que o índice de inadimplência da pessoa física da Caixa “está bastante estável”.

Fonte: O Estado de São Paulo

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Renegociação de dívida cresce mais rápido que calote

Em abril e na primeira metade deste mês, o ritmo de crescimento anual de renegociação das dívidas do consumidor com prestações atrasadas superou o avanço do calote, apontam os dados da Associação Comercial de São Paulo. Houve uma inversão de tendência em relação ao que ocorria nos últimos meses, quando o calote crescia mais que as dívidas renegociadas.

Nas duas primeiras semanas de maio, o número de dívidas em atraso renegociadas aumentou 5,5% em relação à mesma quinzena de 2011, quase dois pontos acima da taxa de crescimento da inadimplência de crediários em igual período (3,6%). A mudança de padrão de comportamento reflete o movimento de queda nas taxas de juros, a maior flexibilidade das instituições financeiras para negociar as dívidas não pagas e o aperto nos critérios de concessão de crédito.

“A situação do mercado de crédito vai se resolver. O problema é que a inadimplência sobe de elevador, mas desce de escada”, compara Luiz Rabi, gerente de indicadores de mercado da Serasa Experian. Ele afirma que os indicadores da entidade já mostram queda da inadimplência.

Segundo Nicolas Tingás, economista-chefe da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), os bancos ficaram mais rigorosos na concessão de crédito por “uma questão de sobrevivência”, já que a inadimplência sobe há mais de um ano.

Orientadas pelos bancos e financeiras que contratam os serviços de renegociação de dívidas, as empresas de cobrança baixaram o tom na hora de fechar os acordos de refinanciamento. O Banco do Brasil, por exemplo, informa que reduziu os encargos financeiros e aumentou os prazos para a renegociação de dívidas em atraso.

Fonte: O Estado de São Paulo

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Parceira do Procon-SP e TJ ajuda consumidores superendividados

 

Foi apresentado 19/12/2011, na Secretaria de Estado da Justiça e da Defesa da Cidadania, o resultado final do projeto piloto “Tratamento do superendividamento”, realizado pela Fundação Procon-SP, em parceria com o Tribunal de Justiça.

Durante o projeto, que durou cinco meses foram atendidos 278 consumidores e 1.260 contratos foram renegociados. Segundo dados do trabalho, a faixa etária mais endividada está entre os 41 a 50 anos, com média de 4,6 contratos e 42,71% tem a faixa de renda de até R$ 1 mil. Das 966 audiências 31% dos credores e 4% dos devedores se ausentaram. Dos acordos que deram certo, 79% geraram dívidas parceladas e 19% foram quitadas à vista.

Veja aqui o resultado do projeto na íntegra.

Para o diretor executivo do Procon-SP, Paulo Arthur Góes, o trabalho realizado tem caráter social e prova que é possível solucionar o problema do superendividamento e levar de volta ao mercado o consumidor mais preparado. “O estresse por conta de uma dívida muito além da renda pode comprometer o cidadão inclusive nas suas relações familiares e de saúde, por isso, ao lado das parcerias que firmamos no projeto, precisamos do compromisso das empresas para ajudar esse consumidor”.

A proposta do projeto é dar tratamento global dos casos, selecionados por triagem nos postos do Poupatempo Sé, Santo Amaro e Itaquera, orientando o consumidor com palestras de educação financeira e psicológicas, e, por fim, a realização audiências coletivas para renegociação das dívidas.

Procon firmará convênio com o TJ para atendimento permanente de superendividados, pelo  Procon e Centro Judiciário de Solução de Conflitos do TJ. A coordenação ficará por conta do Núcleo de Tratamento do superendividamento da Fundação Procon-SP. A previsão é de que o projeto seja reiniciado em março de 2012.

Fonte: Procon-SP

 

 

Vale a pena dar uma olhada no relatório completo disponibilizado pela Fundação Procon de São Paulo.

Link: Relatório completo 

Saudações,

Dr. Denis Siqueira 

 

 

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