Empresa usa van para “caçar” devedor

 

Empresas especializadas em informações de crédito estão literalmente indo atrás dos devedores para promover a renegociação de dívidas. A Boa Vista Serviços acaba de criar um mutirão itinerante. São vans ou containers que vão percorrer capitais do País, de Porto Alegre (RS) a Fortaleza (CE) para promover o encontro entre devedores e credores.

“Vamos aonde o consumidor está. Queremos levar esse benefício para várias regiões do País”, diz o diretor de Sustentabilidade da Boa Vista Serviços, Fernando Cosenza. O mutirão de renegociação itinerante estreou semana passada em Curitiba (PR). Cada dia a van estaciona num local de grande fluxo de pessoas.

A concorrente Serasa Experian criou um feirão virtual de renegociação de dívidas. “É uma nova modalidade de renegociação e começou duas semanas atrás. As empresas ainda estão em processo de formalização”, diz o superintendente de Informações sobre Consumidores da empresa, Vander Nagata.

Segundo ele, quatro empresas credoras já aderiram ao feirão online. Por esse sistema, o devedor recebe uma carta com a senha para se comunicar online, saber a proposta da empresa e fazer sua contraproposta. A vantagem é poder renegociar a dívida na hora mais conveniente, sem precisar ir a um local específico. Enquanto os birôs de crédito intensificam as renegociações, os bancos oficiais, a Caixa e o Banco do Brasil (BB), estão dando uma colher de chá para os clientes de suas linhas de crédito a fim de evitar a inadimplência.

Desde agosto, o BB oferece 180 dias de carência para o primeiro pagamento de duas linhas de crédito, a de salário e a de crédito automático. A primeira prestação será quitada só no ano que vem. “Queremos dar fôlego maior ao nosso cliente”, diz o vice-presidente de Negócios de Varejo, Alexandre Abreu.

O executivo está otimista e projeta forte aceleração do crédito destinado ao consumidor no último trimestre do ano. Serão ofertados entre R$ 12 bilhões e R$ 14 bilhões para pessoa física de outubro a dezembro, o triplo do registrado em igual período de 2011. Até setembro, a alta foi de 23,3% e a meta é fechar o ano com R$ 120 bilhões emprestados, 32% mais que em 2011.

Segundo o executivo, a inadimplência do BB para as linhas de crédito destinadas ao consumidor é de 2% para atrasos acima de 90 dias e está abaixo da média do sistema financeiro. Abreu explica que o calote menor resulta de modelo mais rigoroso de concessão, que não foi flexibilizado por ocasião do corte das taxas de juros. O BB também decidiu privilegiar linhas de menor risco, como crédito consignado, que tem inadimplência bem menor.

A Caixa também está otimista com o fim do ano. De janeiro a setembro, o banco emprestou R$ 70 bilhões aos consumidores e planeja oferecer mais R$ 24 bilhões neste trimestre, encerrando o ano com R$ 95 bilhões de crédito ao consumo. A cifra está 51% acima da do ano passado. “Estamos dando foco nas linhas de crédito para bens duráveis e produtos que permitem as famílias alongar o perfil da dívida, como o consignado e o crédito no qual se dá um bem em garantia”, diz o vice-presidente de Finanças e Mercado de Capitais, Márcio Percival Alves Pinto.

Assim como o vice-presidente do BB, Alves diz que o índice de inadimplência da pessoa física da Caixa “está bastante estável”.

Fonte: O Estado de São Paulo

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Mutirão de cobrança de dívida vira moda

Mutirão de negociação de dívidas

Mutirão de negociação de dívidas

Na tentativa de melhorar os resultados das negociações de dívida, tão comuns nessa época do ano em que há injeção do 13º salário na economia e oferta de trabalhos temporários, as instituições vêm lançando mão dos chamados mutirões de cobrança. São eventos que reúnem tête-à-tête credor e devedor e que parecem ter se transformado em tendência.

A Credicard faz seu primeiro mutirão de amanhã até sábado na capital paulista e está animada com os resultados que pode vir a obter. “Tivemos um índice de resposta dos devedores consultados de 4%, equivalente a 3 mil pessoas, enquanto o patamar médio de retorno para os contatos ‘normais’, feitos por telefone, é de 1%”, afirma Roberto Javali, superintendente de operações de risco da Credicard. O êxito no número de respostas estaria ligado, segundo ele, ao apelo da negociação cara a cara.

A Boa Vista Serviços, administradora do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), está promovendo a segunda edição do “Acertando suas contas”, mutirão que ocorre no Vale do Anhangabaú, região central de São Paulo, desde segunda até domingo e que pretende atender cerca de 15 mil pessoas com débitos registrados no birô de crédito, quase o dobro dos 8 mil que foram encaminhados para renegociação em 2010.

“As empresas que aderem a esse tipo de iniciativa têm disposição especial para ser flexível em termos de desconto e parcelamento”, observa Fernando Consenza, diretor da Boa Vista. “Não se trata de um ambiente de cobrança, mas de acordo.” Jair Lantaller, presidente do Instituto Geoc, que reúne empresas de cobrança, lembra que a presença de representantes de bancos permite a aprovação de propostas que estariam fora das alçadas “regulares”.

O comerciante João Paulo Torres de Amorim, de 30 anos, acredita que saiu do mutirão da Boa Vista com um bom acerto em mãos. De uma dívida total avaliada em R$ 60,3 mil pelo banco Santander, entre cheque especial e cartão de crédito, conseguiu reduzir o saldo para R$ 44 mil, parcelado em 36 vezes. “Metade do que eu devia era [originado de] cobrança de juro”, diz ele, que teve sua situação financeira agravada ao ficar dois meses sem trabalhar após um acidente.

A disposição das cerca de 2,5 mil pessoas que compareceram ao mutirão da Boa Vista no primeiro dia de evento para colocar as contas em dia pode ser medida pelo tempo médio de espera, de três horas, para sentar e negociar – etapa posterior à triagem, em que é tirado um “extrato” dos débitos e verificado para qual das empresas participantes, entre bancos como Itaú e operadoras de telefonia como a Vivo, direcionar o consumidor. O calor que fazia na segunda-feira era combatido, em parte, por alguns umidificadores espalhados pelas duas tendas armadas para atender ao público, enquanto eram distribuídos pipoca e algodão-doce para aliviar a demora.

Os descontos e condições de pagamento oferecidos pelos credores dependem muito do perfil do tomador e do empréstimo concedido. Dívidas antigas, com quase uma década de aniversário, podem ter desconto de até 90%, diz Javali, da Credicard.

Para atrasos mais recentes, de até 90 dias, especialmente se o financiamento foi concedido sem garantia, praticamente não são oferecidos descontos. “Bancos e varejistas estão buscando, efetivamente, que se pague o valor integral das dívidas novas, aumentando, contudo, o parcelamento”, diz José Roberto Romeu Roque, presidente da Associação Nacional das Empresas de Recuperação de Crédito e Cobrança (Aserc).

Roque conta que, de poucos meses para cá, os bancos vêm pedindo, inclusive, maior dedicação das empresas de cobrança para recuperar esses atrasos recentes, que ainda não entraram para o índice de inadimplência das instituições. “Nunca recebi tanta visita de bancos como agora”, confirma Luis Carlos Bento, proprietário da empresa de cobrança Intervalor. “Mas no caso de veículos, vários mutirões estão sendo organizados Brasil afora para recuperar créditos vencidos há mais de 60 dias.”

Fonte: Valor Econômico

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Crédito e cobrança