Teles miram meios de pagamento

A estratégia das operadoras de telecomunicações de diversificar produtos e serviços como forma de alavancar a receita avança agora pelo segmento de pagamentos móveis. A TIM, Vivo e Claro anunciaram na Futurecom, feira de telecomunicações, TI e Internet que acontece até 24/10/2013 no Rio, serviços que permitirão efetuar pagamentos pelo celular. Na mira das teles, estão 55 milhões de brasileiros adultos que não possuem conta em banco, de acordo com pesquisa do Instituto Data Popular.

“Existe uma necessidade de mercado no Brasil, já que uma grande parcela da população é de pessoal não-bancarizado”, justificou Renato Improta, diretor de Serviços de Mobilidade para América Latina da consultoria Accenture. Na avaliação dele, a perspectiva no país é extremamente positiva para os serviços de pagamento móvel, inclusive entre os consumidores que já têm acesso aos meios tradicionais, como o cartão de crédito. 

“É uma tendência que vai depender da rapidez e da facilidade com que o cliente poderá usar os meios de pagamento móveis”, acrescentou o executivo da Accenture. Na análise dele, a diversificação está intimamente relacionada à luta das operadoras para ampliar sua rentabilidade: “O cenário é declinante, com operadoras que têm cada vez mais clientes e um ARPU (receita média por usuário) cada vez menor.” ATIM anunciou a realização de testes com a tecnologia NFC, que permitirá ao consumidor efetuar o pagamento aproximando o celular do equipamento POS (máquina que o lojista usa para passar o cartão do cliente). 

Automaticamente, a máquina irá reconhecer a identidade e a rede bancária do consumidor. “Estamos trabalhando em duas frentes, para o próximo ano”, disse o diretor de Marketing da TIM Brasil, Roger Solé. “Uma é o NFC, que tem como parceiros os bancos Itaú e Bradesco. A outra é uma carteira pré-paga virtual, em parceria coma Caixa Econômica Federal”, complementou. A Telefônica/Vivo apresentou novas metas para seu serviço de pagamento móvel lançado em maio, o Zuum. 

O novo formato de débito por mensagem de celular já conta com mais de 130 mil clientes Belo Horizonte (MG), Porto Alegre (RS) e cinco cidades de São Paulo. O objetivo agora é oferecer o serviço para todo o país a partir de janeiro de 2014. “Fizemos uma parceria com a Mastercard e, em janeiro de 2014, chegará o Zuum”, disse. Com o serviço, o cliente cadastrará um cartão de débito e poderá recarregar, fazer transferências e consultar saldos pelo serviço de mensagens. 

Além da recarga nos mais de mil estabelecimentos credenciados como pontos de depósitos e parcerias com redes varejistas Walmart e Extra, correntistas dos bancos Itaú, Bradesco, Banco do Brasil, HSBC e Banrisul também podem transferir valores para qualquer conta Zuum via internet banking. A Claro lançou, em parceria como Bradesco, um cartão pré-pago para celular. Vinculado a uma linha de telefone da operadora, o serviço, batizado de “Meu Dinheiro Claro”, pode ser utilizado para compras com pagamento em máquinas da Cielo. 

A operadora e o banco formaram a joint venture MPO, operadora e emissora dos cartões. Também é possível fazer transferências e saques em dinheiro sem a necessidade de um cartão físico. A adesão é gratuita e o uso da tecnologia não consome os créditos ou a franquia de dados da linha telefônica, pois não usa a internet. As cargas podem ser realizadas no Bradesco Expresso e os saques, efetuados em terminais do Bradesco e do Banco 24horas, com a cobrança de taxa de R$ 5, convertida em crédito para celular. 

O serviço já funciona em três cidades da Baixada Fluminense, na região metropolitana do Rio, e em Goiânia. “Pretendemos levar a todas as outras cidades até o ano que vem”, afirmou o diretor de serviços de valor adicionado da Claro, Alexandre Olivari. Já a Oi, que oferece pagamentos móveis para seus clientes desde 2007, lançou neste ano, em parceria com BB, o Oi Carteira, cartão pré- pago recarregável que funciona tanto no celular como no cartão tradicional e oferece ampla variedade de transações, como compras em mais de um milhão de estabelecimentos credenciados à Cielo. A operadora está realizando testes com NFC, já a tecnologia complementa outras formas de pagamento com celular.

Fonte: Brasil Econômico

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Duelo de bancos em pagamentos móveis

Os dois maiores bancos privados do Brasil, Itaú e Bradesco, anunciaram em 22/10/2013 avanços no negócio de pagamentos móveis, mostrando que a briga pela conquista de espaço nesse mercado é para valer. Junto com a “repaginação” da marca Redecard (a empresa de credenciamento de estabelecimentos e captura de transações com cartões do Itaú), o banco divulgou um dispositivo que permite transformar smartphones ou tablets em uma “maquininha” (Points of Sales, ou POS na sigla em inglês).

Já o Bradesco anunciou que sua parceria com a operadora Claro, que transforma o celular em um cartão pré-pago virtual, saiu do papel e já está em funcionamento em quatro cidades . Cada lançamento tem uma estratégia e visa um público diferente, mas ambos servem para marcar a presença das duas instituições num mercado com grande potencial de expansão.

O dono da Rede — novo nome da Redecard — mirou nos pequenos negócios, autônomos e empreendedores individuais, como dentistas, vendedoras de porta-a-porta, taxistas e personal trainers. Segundo o presidente da Rede, Milton Maluly, o segmento dos pequenos e médios negócios é o mais rentável—e é nele que a empresa espera crescer. Desde que fechou o capital, a credenciadora vem perdendo participação no mercado para os concorrentes – chegou a ter 45% e agora tem cerca de 37%.

“Quem mexe o ponteiro do market share são os grandes clientes (com faturamento anual acima de R$100 milhões),que ainda respondem por dois terços das nossas receitas. Mas ao mesmo tempo, a briga por preço deprimiu as tarifas. “Não estamos atrás de market share a qualquer preço”, diz Maluly. O dispositivo Móbile Rede, lançado hoje, vem se juntar a diversos outros concorrentes, a maioria deles não-vinculados a bancos . Maluly acredita que a vantagem do seu é, exatamente, ter a grande rede de distribuição e a base de clientes do Itaú e da Rede, com mais de um milhão de pontos de venda.

A vantagem, para quem recebe, é não pagar o aluguel das “maquininhas”. Mas o executivo admite que esse novo mercado é relativamente pequeno e acima de tudo, desconhecido. “Estamos testando”, diz. Por isso, acredita que a sobreposição em relação aos POS da Rede será irrelevante. Já o novo serviço do Bradesco em parceria coma Claro é voltado para o comprador, não para o vendedor. Será oferecido por meio da empresa MPO, operada pela Alelo, empresa do Bradesco e Banco do Brasil que administra cartões benefícios e pré-pagos.

Qualquer cliente da Claro pode optar pelo produto, que pode ser carregado em lojas da operadora, da Bradesco Express, por meio de boleto, transferência direta da conta-corrente de qualquer banco ou de outro celular com Meu Dinheiro Claro, explica Marcos Bader, diretor da Bradesco Cartões. Segundo o executivo, o público alvo em um primeiro momento são pessoas sem conta corrente. “Existe hoje no Brasil cerca de 55 milhões de pessoas não bancarizadas que movimentam R$ 650 bilhões por ano”, diz.

Mas Bader vê potencial além da inclusão financeira para o produto: “O dinheiro virtual logo estará para o dinheiro vivo como os Flintstones estão para os Jetsons”, brinca. “O chip é um parasita que carrega as funcionalidades de pagamento e hoje tem os cartões de plástico como seu principal hospedeiro; no futuro próximo, esse hospedeiro será o telefone celular”. O executivo explica ainda que o usuário pode pagar com os créditos carregados no Meu Dinheiro Claro em “maquininhas” da Cielo – a empresa líder de mercado e concorrente da Rede tem o Bradesco e Banco do Brasil como controladores.

O custo das transações são altos para a população de baixa renda: um saque, de qualquer valor, paga R$ 5. Mas Bader diz que o dinheiro volta como crédito do celular Claro. O produto está disponível em Belford Roxo, São João de Meriti e Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, e Goiânia, em Goiás – e não existe data para ser estendido a outras cidades. Bader diz ainda que o anúncio das duas novidades no mesmo dia pelos dois bancos concorrentes foi mera coincidência. “Seja como for, quem ganha com isso é o mercado, pois as duas empresas estão lançando produtos e serviços carregados de inovação e voltados a inclusão financeira.”

“Os dois compraram os tíquetes para entrar na festa; ninguém quer ficar de fora”, diz Boanerges Ramos Freire, presidente da Boanerges & Cia. Consultoria em Varejo Financeiro. O Banco Central deve soltar em breve um conjunto de normas para regulamentar a lei 12.865/2013, que entre outras coisas trata dos novos arranjos de pagamentos e pagamentos móveis.

A lei deu ao BC poder sobre empresas não financeiras, como operadoras de celular e empresas credenciadoras de cartões e emissoras de cartões pré-pagos e de benefícios. Os bancos estão correndo para garantir sua participação com protagonistas. Freire acredita que o congresso sobre inclusão financeira promovido pelo BC em Fortaleza no começo de novembro deve trazer alguma novidade. “O principal objetivo do BC será regular macroquestões, ‘usos e costumes’; só depois deve avançar para um entendimento mais profundo do setor”, diz Maluly, do Itaú.

Dispositivos que aceitam cartões em celulares avançam

A designer carioca Viviane Codeço, 32 anos, está satisfeita com o seu iZettle  - assim como o Móbile Rede, lançado ontem pelo Itaú,o dispositivo permite receber pagamentos com cartões pelo telefone celular. Desenvolvido pela empresa sueca em 2010, foi lançado no Brasil em parceria com o banco Santander, em agosto. “Funciona muito bem” – diz Viviane, que há dois meses decidiu estudar panificação e confeitaria e saiu do emprego para virar free-lancer – e também vender seus pães.

“Como dispositivo acoplado ao celular, Viviane aceitar cartões de crédito ou débito das bandeiras Visa e Mastercard, para qualquer venda acima de R$1. Como foi uma das primeiras, conseguiu no dispositivo e o aplicativo para o celular de graça – mas paga 6,75% por cada venda. O dinheiro é depositado em uma conta sua aberta no iZettle, cerca de cinco dias depois. 

O Móbile Rede cobra R$ 129 pelo aparelho e aplicativo; e uma taxa de 3,99% por vendas no cartão rotativo e 6,99% em compras parceladas, limitadas a três vezes. O pagamento é feito em 30 dias. O dispositivo aceita todas as bandeiras de cartões aceitas pela Redecard — Visa, MasterCard e Diners, além de várias menores. Há vários outros concorrentes no mercado. 

Boanerges Ramos Freire, presidente da Boanerges & Cia.Consultoria em Varejo Financeiro, lembra que o pioneiro nessa tecnologia foi a americana Square. No Brasil, o PagSeguro, da UOL, também investe em campanha de marketing para conquistar clientes. Outra concorrente é a PagPop. Criada em 2011, a empresa faturou R$1,5 milhão em 2012.

Fonte: Brasil Econômico

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Mobile payment é tema do 3º Congrecred

O mobile payment (pagamentos e transações financeiras pelo celular) deve ser regulamentado neste ano pelo governo federal. A novidade, que promete agilidade ao dia a dia das pessoas, preocupa quem está no outro lado da linha: a indústria de crédito e cobrança, como bancos, assessorias, financeiras, seguradoras, cooperativas de crédito, empresas de microcrédito. Isso porque o assunto é cercado de dúvidas e possibilidades implícitas, entre elas crimes cibernéticos e fraudes. Como o assunto será o ponto das atenções nos próximos meses, a CPK – Connecting People With Knowledge já se antecipou e decidiu levar o tema para a mesa de debates no 3º CONGRECRED - Congresso Sulbrasileiro de Crédito e Cobrança.

Nomes de destaque do cenário nacional vão debater o tema Novos Impactos do Mobile Payment no Cotidiano das Empresas e dos Consumidores em 17 de julho, das 8 às 18 horas, no Centro de Eventos do Hotel Plaza São Rafael, em Porto Alegre. As inscrições realizadas até o dia 30 de maio terão descontos de 20% e até 30 de junho, de 10%. Informações pelo site www.congrecred.com.br ou [email protected], telefone (51) 3027-3360.

Temas e palestrantes

O especialista em crimes cibernéticos e coordenador do curso de Direito Eletrônico da Escola da Magistratura do Rio de Janeiro, Walter Capanema, vai falar sobre o tema A Eficiência da Nova Legislação dos Crimes Cibernéticos ao lado de Roberto Vertamatti, diretor da Apus Consultoria e de Eunice Casagrande, presidente Instituto de Defesa do Fornecedor (IDF-RS). No painel Inovações na Gestão de Riscos no Atual Cenário Econômico, os participantes terão a oportunidade de ouvir o CEO da maior consultoria voltada ao mercado de riscos, crédito e cobrança do país, Fernando Manfio, sócio-presidente da GoOn.

A primeira palestra da manhã A Regulamentação e as Diferentes Aplicações do Mobile Payment terá a frente o advogado e presidente da Mobilie Entertainement Forum Latam,Rafael Pellon, que estará dividindo o palco com Alexandre Leker, superintendente novos negócios e parderias da Getnet e com  Fabiana Smolka, da Mobile Business Development Manager – LATAM.

O aplaudido terapeuta financeiro Reinaldo Domingospresidente da DSOP Educação Financeira e autor de lista de livros como  Livre-se das Dívidas, O Menino e o Dinheiro e Eu mereço ter dinheiro!,  vai explicar  como A Inadimplência Muda com os Novos Meios de Pagamentos? No período da tarde será a vez de ouvir Andréa  Ferrari, diretora da Conecta Call Center e Elenice Franco, gerente executiva de Operações de Assinaturas dos jornais do Grupo RBS, sobre Como a Mobilidade pode Contribuir na Gestão de Pessoas.

SERVIÇO

O que: 3º Congrecred (Congresso de Crédito e Cobrança)

Quando: 17 de julho, quarta-feira, das 8 às 18 horas

Onde: Centro de Eventos do Hotel Plaza São Rafael, em Porto Alegre

Informações: www.congrecred.com.br , [email protected] ou (51) 3027-3360.

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Uso de cheque pré-datado envolve riscos. Saiba evitar as armadilhas

 

Pensou em pagar suas compras com cheque pré-datado? É bom ter cuidado. São muitos os riscos que envolvem esse tipo de transação, que não é regulada pelo Banco Central nem pelo Conselho Monetário Nacional, apesar de culturalmente ter se constituído no Brasil como forma de crédito direto, e não só como meio de pagamento à vista, como é denominado legalmente. Ao assinar o cheque, o correntista precisa ficar atento, pois nem sempre os produtos comprados são entregues pelo vendedor ou as datas combinadas para compensação bancária são respeitadas. Existe, ainda, o risco de o cheque ser passado para terceiros e percorrer um caminho desconhecido pelo consumidor.

Para tentar driblar as armadilhas quando o cheque é a forma de pagamento é preciso tomar alguns cuidados. O primeiro passo é verificar nos órgãos de defesa do consumidor a confiabilidade do estabelecimento comercial com o qual se pretende fechar o negócio. Feito isso, é importante ficar atento às cláusulas estabelecidas nos contratos e em todos os documentos que necessitam da assinatura do cliente. Outra dica dos especialistas é especificar no contrato e na nota fiscal os números das folhas dos cheques e as datas de apresentação acordadas. É aconselhável também que o cheque seja nominal, cruzado, e que tenha escrita a data de sua compensação — o já conhecido “bom para”. No caso de uma apresentação antecipada, essas serão as provas que o consumidor terá em mãos para exigir na Justiça os seus direitos.

Cobrança vexatória Uma operação bastante comum no comércio é o chamado adiantamento de crédito, geralmente solicitado pelo estabelecimento comercial a um banco ou empresa de factoring, que recebe os pré-datados em troca de um deságio, e, na data combinada, apresenta os cheques para compensação. Se tudo der certo, o consumidor nem vai perceber o acontecido, pois o dinheiro sai da sua conta conforme previsto. No entanto, não são raros os casos em que alguma coisa dá errado. 

A história de Carla Silva é um bom exemplo. Ela comprou móveis para a casa na loja Criare do Setor de Indústria e Abastecimento (SIA). Pagou R$ 6,8 mil com cinco cheques pré-datados. O primeiro, de R$ 1.360, foi compensado. Poucos dias depois, no entanto, antes de entregar os objetos comprados, a loja decretou falência, o que levou Carla a sustar os cheques restantes. Mesmo assim, o Banco Santander, que antecipou os valores para a Criare, quer receber de Carla e ameaça levar seu nome ao Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) caso ela não faça os pagamentos. Outros 29 clientes ficaram sem os bens adquiridos e procuram uma forma de resolver o problema.

A gerente jurídica do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Maria Elisa César Novais, esclarece que não há vínculo entre Carla e o Santander. “Essa cobrança feita pelo banco é vexatória e abre a possibilidade de processo por danos morais, com direito a indenização.” O nome do consumidor, num caso como esse, não pode ir para lista do SPC, afirma. A instituição financeira informou em nota “que entrará em contato com a cliente para solicitar os documentos específicos, relativamente ao caso, para a devida análise e adoção das providências necessárias”.

O consumidor que estiver na mesma situação de Carla e decidir recorrer à Justiça, explica Maria Elisa, deve fazer um boletim de ocorrência e informar ao juiz do processo de falência, por meio de um advogado, que sustou os cheques porque a empresa não entregou os bens comprados, o que configura quebra de contrato. A mesma informação deve ser passada, por meio de carta, para as instituições financeiras envolvidas. O advogado da franquia Criare, Nilton Mendes Gomes, afirma que procurou todos os clientes prejudicados pela franqueada do SIA e os orientou a recorrer à Justiça para defender seus direitos. “A responsabilidade de cumprir o contrato é da franqueada que realizou o negócio”, disse.

Pesadelo

A construção de uma casa de madeira passou de sonho a pesadelo quando uma professora, que prefere não revelar o nome, começou a enfrentar problemas com o cumprimento de prazos e qualidade dos materiais entregues pela empresa contratada. O pagamento com três cheques pré-datados, apresentados e descontados nas datas corretas, e a assinatura de um contrato estabelecendo 75 dias para a entrega da obra, não garantiram os direitos da consumidora, que, depois de nove meses batalhando para ver a residência pronta, preferiu contratar diretamente dois pedreiros para terminar a obra. 

A professora conta que o contrato com a Park House foi feito de “porteira fechada” — ou seja, além de erguer a casa, a empresa ficou responsável pelo acabamento e pelas instalações elétrica e hidráulica. O contrato especificava até a qualidade do material a ser usado. “Além de não cumprir os prazos, tudo que chegava era devolvido porque estava fora do combinado, era de péssima qualidade.” Ainda de acordo com a professora, depois de vários contatos e reclamações infrutíferas feitas diretamente ao dono da loja, ela resolveu procurar o Procon, que a aconselhou a entrar com um processo no Juizado de Pequenas Causas. Lá, informaram que, pelo valor demandado — cerca de R$ 40 mil —, o correto seria recorrer à Justiça comum. De tanto andar de um lado para o outro, resolveu arcar com o prejuízo, pagando novamente pelo material que faltava e contratando mão de obra para a conclusão do projeto.

Iniciada em maio de 2011, a casa só ficou pronta em janeiro de 2012, com cinco meses de atraso e custo adicional de pelo menos 10%, conforme estimativa da professora. Se o pagamento não fosse antecipado com cheques pré-datados, talvez o comportamento da empresa tivesse sido outro. O proprietário da Park House, Esvaldo Rodrigues Farias, afirma que já construiu cerca de 600 casas de madeira em Brasília e região, com índice de reclamações de apenas 5%. Segundo ele, os atrasos acontecem geralmente porque a madeira usada vem do Pará e as entregas podem demorar além do previsto. Ele diz também que nem sempre o material descrito no contrato está disponível no mercado e, nesses casos, a saída é usar um similar — “mas sempre da mesma qualidade”, afirma. 

Dano moral

Quando o caso é o desconto do cheque antes do prazo acertado, o correntista já tem direito líquido e certo na Justiça. A grande quantidade de recursos que chegava ao órgão todos os anos fez com que os ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) editassem a Súmula 370, reconhecendo o pré-datado como um contrato comercial firmado entre quem o emite e quem o recebe. “Cumprir a data acertada é uma obrigação, e não uma promessa. O descumprimento configura dano moral e gera indenização que pode chegar ao dobro do valor dos cheques”, diz Maria Elisa, do Idec.

A súmula é um instrumento jurídico que pacifica o entendimento sobre determinados assuntos. Assim, todas as vezes que surgir no STJ um processo questionando a apresentação do cheque pré-datado antes do dia combinado, os ministros decidirão a favor do correntista. A súmula costuma também ser respeitada pelos juízes de primeira instância. Mas é preciso apresentar provas em caso de compensação antecipada do documento. Por isso, sempre anote nos cheques a data em que eles poderão ser descontados, e, no contrato de compra e venda, o número de cada um deles e os dias previstos para pagamento.

Fonte: Correio Braziliense

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Cartões de crédito ameaçam cartões próprios do varejo

 

Os cartões de loja – chamados no mercado de “private label” – respondem pela metade do faturamento de grandes redes de varejo de confecções, como Renner, Riachuelo e Marisa. Mas essa participação vem caindo, ameaçada pela popularização dos cartões de crédito, que chega com mais facilidade às mãos do cliente cativo dessas lojas.

Para evitar essa queda, as varejistas buscam maneiras de não perder uma parcela importante do orçamento desse consumidor. Por isso, está cada vez mais comum os cartões de loja copiarem seus “primos ricos”, oferecendo clubes de vantagens para seus clientes.

Um produto que antes se firmava pelo crédito em si agora precisa se provar relevante para o cliente. A iniciativa mais recente de proteção do cartão de loja parte da Renner. Segundo a gerente geral de marketing da varejista, Luciane Franciscone, o clube de vantagens da empresa tem o objetivo de estreitar o relacionamento com a clientela. Como acontece nos cartões de crédito, será possível trocar pontos por prêmios, que vão desde descontos exclusivos nas lojas e antecipação de compra de coleções a ingressos para eventos.

Com mais de 20 milhões de clientes, o desafio do cartão da Renner é manter esse contingente todo ativo. “É comum que o cartão de loja, que só pode ser usado em um único local, acabe esquecido no fundo de uma gaveta”, diz José Renato Simão Borges, presidente da Credz, recém-lançada empresa da família Zogbi que busca transformar os cartões de loja em co-branded (que trazem uma bandeira que pode ser usada em todo o comércio).

Na Marisa, que tem 10,7 milhões de cartões emitidos, cerca de 80% não são usados com frequência. As outras redes não divulgam esse dado, mas o índice, segundo fontes de mercado, não é muito diferente. Por isso, uma das medidas do clube de vantagens da Renner visa justamente manter o cartão da loja dentro da carteira do consumidor. Segundo a gerente de marketing da empresa, algumas promoções podem ser relacionadas ao simples uso frequente do cartão, independentemente do valor da compra.

A Renner não é a primeira a criar um clube de vantagens para seu cartão. O Programa Amiga, da Marisa, oferece uma conversão relativamente simples. Para o cartão da loja, 4% dos valores comprados são convertidos em pontos; para o co-branded, que também pode ser usado tanto na Marisa quanto em outro estabelecimento, o cliente recebe 2% dos gastos em pontos. A cada 25 pontos, pode trocar por R$ 25 em produtos na Marisa.

Disputa

Esse tipo de estratégia se tornou necessária, admitem os lojistas, à medida que o cartão de crédito começou a chegar com mais facilidade à mão do consumidor. Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), o “dinheiro de plástico” já é usado por 75% dos brasileiros – em 2011, o índice era 68%. A associação projeta para este ano uma expansão de 21% nas transações com o meio de pagamento.

Com mais crédito disponível, o consumidor da nova classe média ficou menos dependente do cartão de loja, na opinião de Renato Meirelles, sócio-diretor do Data Popular, instituto que estuda a nova classe média. “Foi um processo de evolução. Primeiro as emissoras de cartão não aceitavam certos consumidores. Agora, isso mudou – e os limites oferecidos (para a classe C) estão bem maiores”, diz Meirelles.

O cartão de loja deve ser encarado pelos lojistas como mais uma opção de relacionamento com o cliente, na opinião do especialista. “O Magazine Luiza faz isso muito bem. Tem o cartão ouro e oferece condições especiais. Uma vez por ano, a loja abre só para quem faz parte do programa de relacionamento. É uma forma de mostrar que o cliente é bem visto pela empresa.”

Outra forma de criar vínculo com o titular do cartão de loja é pela oferta de produtos como consórcios, seguros e planos odontológicos. É o que faz, por exemplo, a Riachuelo por meio de sua financeira, a Midway. A operação tem peso importante para o Grupo Guararapes: representa cerca de 20% de sua margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortizações e depreciações). “Essa participação caiu um pouco no terceiro trimestre, por causa da inadimplência, mas deverá voltar ao normal logo”, diz o presidente da Riachuelo, Flávio Rocha.

As redes afirmam que o caminho para o cartão multiuso – com o nome da varejista e também uma bandeira de crédito, como Visa ou Mastercard – é a evolução natural deste mercado. A Marisa já repassou seu negócio de cartões co-branded para a Itaucard. A Riachuelo emite os cartões com bandeira em sua própria financeira. “Já temos 2 milhões emitidos e vamos crescer ao ritmo de 1 milhão de novas unidades ao ano”, afirma Rocha.

Fonte: O Estado de São Paulo

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