Carnês lideram pagamentos atrasados

Pela primeira vez em dois anos, o carnê e o boleto ultrapassaram o cartão de crédito como a forma de pagamento que levou o consumidor à inadimplência. Pesquisa trimestral feita pela Boa Vista Serviços para traçar o perfil do inadimplente revela que, no mês passado, o carnê e o boleto lideraram o ranking dos meios de pagamentos que causaram a restrição, com 30% das respostas, seguidos pelo cartão de crédito, com 28%.

“Fazia muito tempo que o carnê e o boleto não eram os principais meios de pagamento apontados como os responsáveis pelo avanço da inadimplência”, observa o economista da Boa Vista Serviços, Flávio Calife.

A última vez que o carnê e o boleto ocuparam a liderança desse ranking foi em setembro de 2011 e com porcentuais menores do que os atuais: o carnê e o boleto com 28% e o cartão de crédito com 22%. De março do ano passado em diante, o cartão assumiu a liderança, com 29%. Em junho de 2012, o indicador subiu para 30% e se mantém em 28% desde dezembro do ano passado.

A enquete, feita com cerca de mil consumidores inadimplentes no mês passado, indica uma mudança importante de comportamento das lojas e do consumidor. Como os bancos ficaram mais seletivos na concessão de crédito, os lojistas optaram por vender a prazo por meio de carnê e boletos. Dessa forma, escapam do maior rigor imposto pelas instituições financeiras.

A segunda hipótese, segundo Calife, que explicaria essa mudança de perfil, é que o próprio consumidor, mais cauteloso, reduziu o uso do cartão de crédito. “O consumidor está mais preocupado.”

Desemprego

Outro resultado relevante da pesquisa é que cresceu, de junho deste ano para setembro, em 4 pontos porcentuais, a fatia de inadimplentes que atribuíram ao desemprego o principal motivo do calote. No mês passado, 34% apontaram a perda de emprego como a causa mais importante. Na pesquisa anterior, em junho de 2013, essa fatia era de 30%.

Em contrapartida, houve queda, de junho para setembro, no número de entrevistados que apontaram o descontrole como o principal motivo do calote. Em junho, esse indicador estava em 28% e, no mês passado, em 23%.

“A diferença entre a fatia de inadimplentes que aponta o desemprego e a que atribui o descontrole de gastos é de 11 pontos porcentuais”, ressalta Calife. Ele observa que, no segundo trimestre desta ano, o desemprego também era tido como o principal fator, seguido pelo descontrole. Mas a diferença entre esses dois motivos era de apenas 2 pontos porcentuais. “O desemprego aumentou e o descontrole diminuiu.” Segundo o economista, o avanço do desemprego como principal motivo de calote reflete as mudanças, ainda pequenas, que já estão ocorrendo no mercado de trabalho. Embora a taxa de desemprego tenha batido sucessivos recordes de baixa, o mercado de trabalho passa por uma acomodação e a recolocação para quem perde o trabalho já não é tão rápida como tempos atrás.

Natal

Apesar de a inadimplência representar um obstáculo para os lojistas impulsionarem as vendas, especialmente nesta época do ano que antecede o período de maior faturamento, a pesquisa indica um cenário mais favorável para os próximos meses. De acordo com a enquete, a totalidade dos entrevistados acredita que vai conseguir quitar as pendências parcial ou totalmente nos próximos meses. Em junho essa fatia era de 92% e, em setembro do ano passado, de 91%.

Fonte: O Estado de São Paulo

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Só 1% das empresas sai da recuperação judicial no Brasil

Apenas 1% das empresas que pediu recuperação judicial no Brasil saiu do processo recuperada. Desde que a lei foi criada, em fevereiro de 2005 até o último dia 10, cerca de 4 mil companhias pediram recuperação judicial, mas só 45 voltaram a operar como empresas regulares. No decorrer desses oito anos e meio, só 23% delas tiveram seus planos de recuperação aprovados pelos credores, 398 faliram e a maioria dos processos se arrasta no Judiciário sem definição final.

Os dados são de um levantamento da consultoria Corporate Consulting e do escritório de advocacia Moraes Salles feito a pedido do jornal Estado de São Paulo. A pesquisa não considera empresas que estavam em concordata e migraram para a recuperação judicial quando a lei foi criada.

“A maioria dos planos aprovados não é um projeto de reestruturação para tornar a empresa viável economicamente. São basicamente renegociações de dívidas”, disse Paulo Carnaúba, sócio do Moraes Salles e presidente da comissão de estudos em falência e recuperação judicial da OAB/Campinas. “Isso explica em parte por que a taxa de sucesso é tão baixa.”

A recuperação judicial foi criada para substituir a antiga concordata e evitar a falência das empresas. As companhias que recorrerem à lei ficam blindadas de cobranças de credores por 180 dias e deverão elaborar um plano para recuperar a empresa. Esse plano precisa ser aprovado pelos credores e executado com sucesso pela companhia para o processo chegar ao fim. A decisão de encerrar a ação é da Justiça.

Companhias como a calçadista Via Uno e a fabricante de eletrodomésticos Mabe pediram recentemente recuperação judicial. Outras como a companhia aérea Varig e a Agrenco também tentaram esse caminho, mas faliram depois.

A próxima a entrar em recuperação judicial deve ser a OGX, petroleira de Eike Batista, que está inadimplente por deixar de pagar credores externos. A empresa tem até o fim do mês para quitar o débito e, se não o fizer, os credores poderão pedir a sua falência. O mercado espera que a OGX recorra à recuperação judicial até o fim do mês.

“O empresário só recorre à recuperação quanto não vê outra saída. Quem passa a decidir o futuro da empresa são os credores e a Justiça”, explica Luis de Paiva, sócio da Corporate Consulting, que participou de mais de 200 reestruturações.

Execução

A tarefa de reerguer uma empresa envolve, no mínimo, dois grandes desafios: ganhar a confiança dos credores e conseguir manter a empresa operante. Muitas empresas em crise interrompem as atividades por falta de caixa e crédito para honrar compromissos básicos como pagar funcionários e comprar matéria-prima.

“É muito mais difícil recuperar a empresa se ela parar”, avalia o presidente da Strategos Consultoria, Telmo Schoeler, que já participou de cerca de 150 reestruturações de empresas. “O plano de recuperação tem de considerar de onde sairá o dinheiro para a empresa continuar a operar nesse período.”

Com a operação parada, as empresas perdem clientes e ficam com produtos e maquinário obsoletos. Na maioria dos casos assim, é questão de tempo para a recuperação judicial virar falência. Nos decretos de falência, é comum encontrar afirmações de juízes de que a recuperação é inviável porque as empresas já não existem mais.

Batalha jurídica

Os processos frequentemente se tornam uma batalha jurídica entre credores, acionistas e administradores judiciais. Cada um invoca a lei para tentar garantir seus interesses e a recuperação da empresa em si fica em segundo plano. Há muitos casos assim na história da Lei brasileira.

O processo do laticínio Nilza, de Ribeirão Preto (SP), que já teve mil funcionários e tem fábricas paradas desde 2009, virou uma espécie de “novela”. Os credores aprovaram a transferência da empresa a um investidor, mas o processo foi contestado por um acionista – o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) – e o Ministério Público pediu a falência da empresa por suspeita de compra de votos na assembleia de credores. Depois de uma batalha jurídica, a empresa faliu em outubro de 2012.

“A empresa foi vendida para um grupo que não tinha intenção de operar a fábrica. Era só para especular”, disse o síndico da massa falida, Alexandre Borges Leite. “É mais prejudicial aprovar uma recuperação inviável do que decretar a falência.”

A razão é simples: o tempo é inimigo de empresas em crise. Quanto mais se demora para resolver a questão, menos vale a companhia e mais difícil fica reerguer a empresa.

A Agrenco, por exemplo, pediu recuperação após uma investigação da Polícia Federal ter deflagrado uma crise na empresa, um ano depois de ela ter captado R$ 500 milhões na Bolsa. A ideia era simples: vender a usina de Marialva (PR) para terminar de construir outras duas usinas e se reerguer.

Não deu certo. O processo foi marcado por disputas judiciais entre credores, administradores e acionistas e trocas de gestão da empresa durante o processo. Um segundo plano foi elaborado, mas não foi aprovado pelos credores. A companhia teve sua falência decretada em agosto deste ano.

EUA

A recuperação judicial foi inspirada no chamado “Chapter 11″ da legislação americana. Lá, a taxa de sucesso, historicamente, varia entre 20% e 30%, bem acima do 1% brasileiro.

A lei americana é mais aprimorada, mas as grandes diferenças são a agilidade do processo e a maturidade do mercado em enfrentar uma reestruturação, dizem os especialistas. Nos Estados Unidos, o envolvimento do credor é muito maior e não se resume a aprovar ou não o plano de recuperação.

No caso da montadora General Motors, por exemplo, que pediu concordata em 2009, credores como o governo americano e o sindicato United Auto Workers converteram suas dívidas em ações de uma “Nova GM”. O plano foi aprovado em cerca de 30 dias. A empresa se recuperou e os credores venderam suas ações anos depois.

Além da GM, entraram e saíram do “Chapter 11″ diversas grandes empresas, como United Airlines, Citibank e até o banco Lehman Brothers, estopim da crise de 2008. Por aqui, ainda não há casos de gigantes que emergiram da recuperação judicial.

A próxima da lista

A OGX, petroleira de Eike Batista, está inadimplente desde o dia 1° e deve pedir recuperação judicial até o fim do mês. Se não o fizer e não quitar o débito, os credores poderão pedir a sua falência.

Para entender

A lei de recuperação judicial entrou em vigor em fevereiro 2005 para substituir a antiga concordata. Pela regra anterior, as empresas inadimplentes poderiam pedir concordata e ganhavam um prazo de dois anos para equacionar a dívida. Neste período, estavam protegidas da falência. Os controladores continuavam à frente da companhia e podiam decidir a estratégia para reerguer a empresa.

Na prática não funcionava bem. Entre 80% e 90% das concordatas eram convertidas em falência após o prazo de carência, estima o consultor Telmo Schoeler, da Strategos.

A recuperação judicial foi desenhada para salvar as empresas, inspirada na legislação americana. Ao pedir recuperação judicial, a empresa insolvente fica blindada de pedidos de falência por 180 dias. A companhia deve apresentar um plano de recuperação a credores, que podem aprovar ou não o processo. Se recusarem, a falência é decretada. Se aprovarem, a empresa deve executar o plano. A decisão é, portanto, dos credores.

No período em que estiver em recuperação, a empresa ficará sob a supervisão de um administrador judicial. A companhia só sai do processo e volta a ter autonomia de gestão com o aval do juiz.

Fonte: O Estado de São Paulo

 

Excelente matéria!

A maioria dos empresários, sem o apoio de uma consultoria especializada, enxerga na Recuperação Judicial apenas uma renegociação de dívida ou um parcelamento forçado imposto contra os credores.  Já as médias e grandes corporações se favorecem da proteção e das vantagens trazidas pela Lei de Recuperação.

Mas, as causas do péssimo resultado das Recuperações no Brasil estão além destas questões óbvias, e dependem essencialmente da participação efetiva dos credores e da transparência do devedor.

Saudações,

Dr. Denis Siqueira

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Índice de inadimplência com cheques cai no mês de setembro

O índice de inadimplência do setor de cheques apresentou queda de 0,06% no mês de setembro indo para 2,50% em comparação com agosto. No resultado de julho, o percentual de inadimplência estava em 2,97%.

A Pesquisa Nacional sobre Liquidação de Cheques, realizada pela TeleCheque, mostrou que o setor que mais contribuiu para a queda foi o de “Cheques sem fundos” que neste mês é responsável por 73,2% dos casos de inadimplência, em agosto, ele respondia por 75%.

Das outras categorias, estão os cheques sustados com 11,2%; roubados ou furtados, com 4,4%; fraudados, com 0,8%; e outros, com 10,4%. O ticket médio dos cheques cresceu 1,63% em relação a agosto ficando em R$ 781,93.

De acordo com José Antônio Praxedes, presidente da TeleCheque, o cenário da inadimplência com cheques em geral é positivo. “Se pensarmos que setembro é o segundo mês consecutivo de queda da inadimplência com o uso desse meio de pagamento. É importante destacar também que o ticket médio aumentou cerca de 3,69% em relação ao primeiro mês do terceiro trimestre, um fator muito importante para o cheque se consolidar cada vez mais como instrumento de crédito para os consumidores. ”

Índice Regional

A Região Norte foi a que apresentou maior participação na inadimplência dos cheques que chegou a 3,36% dos cheques emitidos, em relação a agosto, a região se mantém com o maior índice. A região Sul registrou a menor inadimplência com 1,94% ante 2,02% de agosto sobre a emissão geral de cheques. 

O Nordeste teve a segunda maior quantidade de não quitações, com 3,09%, aumento de 0,65% em relação a agosto. O Sudeste ficou no meio do ranking, com 2,42% no índice de inadimplência. Já o Centro-Oeste foi o destaque no período, com a maior redução no índice de inadimplência, passando de 2,85% em agosto para 2,31% do total de cheques emitidos na região em setembro.

Fonte: Istoé Dinheiro

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Cautela dos consumidores é positiva para o futuro

Os consumidores – e o ritmo de vendas do comércio – continuam dando sinais de moderação, segundo pesquisas do Programa de Administração do Varejo (Provar) da USP, da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio) e da Serasa Experian. A tendência deve ser vista como positiva para as finanças das famílias e para os bancos, pois haverá queda mais acentuada da inadimplência, abrindo espaço para uma recuperação sustentável, no futuro, sem que haja necessidade de novos estímulos federais ao consumo, no curto prazo.

Entre os quartos trimestres de 2012 e 2013, a intenção de compra de eletrodomésticos, eletrônicos, carros e imóveis caiu quase 10 pontos porcentuais. Atingiu 46,8%, na primeira quinzena do mês passado, segundo a pesquisa do Provar, com 500 consumidores. Num período em que ocorrem o Dia da Criança e o Natal – datas relevantes para o varejo “há um pé no freio do consumo e o fato de a intenção de compras no quarto trimestre ser menor do que a do terceiro trimestre é preocupante”, disse o presidente do conselho do Provar, Cláudio Felisoni de Araújo.

Estabilizou-se em 52,6%, em setembro, o número de famílias paulistanas endividadas, segundo a Fecomércio. Mas, enquanto o porcentual de famílias com renda superior a 10 salários mínimos caiu de 42%, em agosto, para 37,9%, em setembro, houve um pequeno aumento do endividamento nas famílias com renda inferior a 10 mínimos – é o principal instrumento de dívida  o cartão de crédito, que cobra juros estratosféricos dos clientes.

Efeitos da moderação do consumidor também aparecem no Indicador de Atividade do Comércio, da Serasa Experian, mostrando que houve apenas uma pequena elevação da atividade (0,9%) entre agosto e setembro, liderada pela demanda em lojas de móveis, eletroeletrônicos e equipamentos de informática. A desvalorização do dólar estimulou as vendas.

Segundo o Provar, há um “esgotamento do ciclo de consumo”. Famílias com menor poder de compra já procuram bens de menor custo, como calçados ou peças de vestuário, em vez de produtos da linha branca, Com exceção dos beneficiários do programa Minha Casa Melhor, que pagam juros subsidiados.

Gastando menos dinheiro público com subsídios ao consumo, o governo terá mais recursos para investir criando condições para o crescimento sustentado da economia.

Fonte: O Estado de São Paulo

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Mulheres lideram inadimplência em cheques, aponta pesquisa

 

As mulheres ocupam a liderança na inadimplência nos pagamentos com cheques, ultrapassando os homens pelo terceiro bimestre consecutivo, aponta pesquisa divulgada nesta em 22/08/2013 pela TeleCheque, empresa especializada em análise de crédito para pagamentos com cheques.

A quantidade de mulheres inadimplentes totaliza 53,3% dos consumidores que utilizam cheques, ante 46,7% dos homens. O índice, contudo, é inferior ao da pesquisa do bimestre anterior (março e abril de 2013), que foi de 58,1% (com 41,9% de homens em inadimplência), diz.

O principal motivo da inadimplência é o descontrole financeiro, que contempla 48,7% dos consumidores. Em segundo lugar vêm os consumidores que emprestaram o nome para terceiros ou se tornaram fiadores e avalistas, com 10,5%, seguidos do atraso salarial, com 8,8%.

Valor médio

O ticket médio (valor médio) do cheque não liquidado varia entre R$ 50,01 e R$ 199,99 (33,1% do total), aponta a pesquisa. O principal produto ou serviço adquirido pelos clientes são acessórios automotivos e manutenção, com 16%. Na segunda colocação vem alimentação com 12,9%, seguido por roupa e vestuário, com 10,9%.

A pesquisa “Perfil do Consumidor Inadimplente”, foi realizada em maio e junho de 2013.

Segundo a empresa, a pesquisa é feita com base nos valores das transações em reais monitoradas pela TeleCheque em diversos segmentos. São aproximadamente 10 mil pontos de venda distribuídos em 890 municípios do país. Os estados onde a TeleCheque não opera são Acre, Rondônia, Amapá, Roraima e Tocantins.

O estudo teve como foco pessoas inadimplentes usuárias de cheque. O estudo é feito via telefone, por meio da Central de Recuperação da empresa, com 1.072 consumidores, diz.

Fonte: G1

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