Crédito consignado sobe mais que pessoal

Com uma das menores taxas de juros do mercado, cerca de 2% ao mês, o crédito consignado cresceu a uma velocidade 51% maior que a do empréstimo pessoal em cinco anos e meio.

O saldo concedido na modalidade teve um aumento de 208% entre janeiro de 2008 e agosto de 2013, de R$ 69,7 bilhões para R$ 214,7 bilhões, segundo dados do Banco Central. Os valores consideram os chamados recursos livres, que excluem créditos como habitacional e rural.

No mesmo período, o empréstimo pessoal, com juros de 5,5% ao mês em média, cresceu 138%, para R$ 96,8 bilhões em agosto deste ano.

Embora mais vantajoso em termos de custo, com juros menores, o crédito consignado não é acessível a todos.

Quem pode

Para conseguir um empréstimo nessa linha, é preciso ser aposentado ou pensionista do INSS (Previdência Social), funcionário público ou empregado com carteira assinada de uma empresa privada que tenha convênio com bancos que ofereçam o crédito. 

“Muitas empresas preferem não solicitar o convênio com medo de que o funcionário se endivide”, diz Alexandre Chaia, professor de finanças do Insper, instituto de ensino e pesquisa.

Preocupação que procede, afirma Carlos Honorato, professor de finanças da FIA, fundação privada ligada à USP. “Infelizmente, as pessoas usam o crédito consignado para aumentar o consumo indiscriminado”, diz. 

A principal indicação dessa modalidade de crédito é pagar dívidas já contraídas e que tenham juros mais altos, para equilibrar o orçamento.

Riscos 

O crédito consignado, no entanto, também oferece riscos ao tomador.

Para funcionários da iniciativa privada, o maior deles é o de rompimento do contrato em caso de demissão. 

Nessa situação, as opções que costumam ser oferecidas, previstas em cada contrato, são quitar a dívida à vista com parte do dinheiro (ou todo, dependendo do valor) que seria recebido da empresa na rescisão, ou aceitar que os juros do empréstimo sejam convertidos às taxas de mercado do crédito pessoal. 

“Por isso, é preciso ler com atenção o contrato antes de assiná-lo”, diz Honorato. 

Fonte: Folha de São Paulo

comente aqui

Bancos mudam comissão do “pastinha”

Em uma ação orquestrada, os maiores bancos do país estão mudando a forma de remuneração dos correspondentes bancários, os chamados “pastinhas”. Figura polêmica, é ele quem faz a intermediação entre o banco e o tomador de empréstimos consignado, aquele com desconto em folha de pagamento, vendendo o produto.

Sexta-feira, uma série de correspondentes recebeu avisos dos bancos, alertando para uma mudança na remuneração nas operações de consignado que forem levadas de um banco para outro.

Segundo Edison Costa, presidente da Aneps, associação que reúne promotores de venda e correspondentes bancários, os bancos informaram que, a partir desta semana, mudariam a forma de contabilização da comissão. O movimento, diz Costa, reduzirá o que é pago aos “pastinhas”.

Quando uma operação de crédito consignado for liquidada antecipadamente em uma instituição para ser refeita em outra, o “pastinha” passará a receber sua comissão só em cima do valor novo liberado para o cliente.

Funcionaria da seguinte forma: uma pessoa fecha no banco A uma operação de crédito consignado de R$ 10 mil, valor máximo que pode ser consignável de seu salário. Meses depois, quando parte do empréstimo já foi quitada, o “pastinha” propõe ao cliente a migração para outro banco, refazendo um empréstimo de R$ 10 mil.

O tomador aceita a transferência. O contrato no banco A é pré-liquidado, e uma nova operação é feita no banco B, novamente com o valor de R$ 10 mil. O cliente só recebe em dinheiro a diferença entre sua dívida restante e o valor da chamada “margem consignável”.

Hoje, nessa migração, o correspondente recebe novamente uma comissão sobre os R$ 10 mil. Agora, os bancos só vão pagar a comissão sobre o valor novo efetivamente liberado para o cliente (o “troco”, no jargão do mercado). Se o novo dinheiro liberado para o cliente somou R$ 500, por exemplo, a comissão só será calculada em cima disso. A Aneps critica a mudança. “Quem promoveu isso [a pré-liquidação] foram os próprios bancos. Todos, sem exceção, fomentaram. E agora quem perde é o correspondente”, afirma Costa.

A defesa dos bancos é que a forma como operam os “pastinhas” compromete a rentabilidade do consignado do sistema como um todo. Segundo um banqueiro, para conseguir compensar o alto valor das comissões pagas (que giram próximas de 20%), o banco precisaria que o empréstimo ficasse com ele por toda a duração do contrato. O que acontece, porém, é que pouco mais de dois meses depois da contratação do crédito, o “pastinha” já o leva a outro banco.

Procurados pela reportagem, Bradesco, Santander, Itaú Unibanco e Caixa não retornaram o pedido de entrevista. O Banco do Brasil, que trabalha só com a distribuição do consignado nas agências, informou que não se pronunciaria.

Não é de hoje que os bancos tentam reduzir o incentivo que os correspondentes têm via comissão para carregar um empréstimo de um banco para outro, numa espécie de rouba-monte. Está em análise no Banco Central medida para que a remuneração dos pastinhas seja feita ao longo da vida dos contratos, e não logo que eles são fechados, como é hoje.

A mudança na remuneração do correspondente não é unanimidade. Sem rede de agências, bancos de menor porte são mais dependentes das contratações fechadas pelos “pastinhas”. Por esse motivo, tentativas anteriores de mudanças nas regras não contaram com a simpatia dessas instituições. Procurada pela reportagem, a ABBC, que reúne os bancos médios, não retornou pedido de entrevista. 

Fonte: Valor Econômico

comente aqui

Servidor deve R$ 128 bilhões

Os servidores públicos não têm se intimidado em aumentar as dívidas. Dados do Banco Central mostram que os funcionários das três esferas de governo — União, estados e municípios — já devem R$ 128 bilhões aos bancos por meio do crédito consignado, com desconto em folha de pagamento. O volume é 7,5 maior do que o total dos débitos de trabalhadores da iniciativa privada (R$ 17 bilhões) e quase do dobro dos empréstimos concedidos aos aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (R$ 63,3 bilhões).

O apetite dos funcionários públicos pelo crédito consignado é enorme. Nos 12 meses terminados em junho, o saldo devedor aumentou 18,5%, quase três vezes mais o incremento de 7,9% computado em todas as operações destinadas às pessoas físicas. No ano, as dívidas com desconto em folha dos servidores avançaram 10,8% ante os 3,3% do total de empréstimos e financiamentos aos consumidores.

Segundo o Ministério do Planejamento, que controla as operações de consignado do funcionalismo federal, não se pode falar em superendividamento, pois o limite legal de comprometimento da remuneração do servidor é de, no máximo, 30%. As dívidas podem ser pagas em, no máximo, 60 parcelas.

Mesmo com regras bem estabelecidas, o crescimento desse tipo de crédito preocupa, na avaliação do professor de matemática financeira José Dutra Vieira Sobrinho, vice-presidente da Ordem dos Economistas do Brasil. “As pessoas que tomam esse empréstimo também têm financiamentos de carros ou imóveis, no cartão de crédito. Chega uma hora que começa a faltar dinheiro e aumenta a inadimplência. Não no consignado, porque ele é descontado diretamente no salário, mas em outras modalidades que têm juros maiores”, alertou.

Segundo o professor, o aumento no saldo do crédito consignado também é justificado pelo assédio de bancos e financeiras aos clientes, sobretudo em relação aos servidores, que têm altos salários e estabilidade. No caso dos pensionistas do INSS, pesa a garantia do contracheque. “Eu mesmo, que sou aposentado, já recebi três ligações num mesmo dia de três bancos diferentes para me oferecer o serviço. E eles já sabiam o valor do meu benefício e quanto eu podia contratar”, afirmou Dutra.

Educação

Para o educador financeiro Mauro Calil, fundador da Academia do Dinheiro, é normal que as estatísticas apontem um maior endividamento dos funcionários públicos no crédito consignado. “Essa linha oferece juros muito baixos, porque o servidor tem estabilidade no emprego e capacidade maior de pagamento. Tulio Maciel, chefe do Departamento Econômico do Banco Central, afirmou que os funcionários públicos estão saindo do cheque especial e cartão de crédito para o consignado, “a migração do crédito mais caro para mais barato é positiva”, avaliou.

De acordo com Calil, não raro gerentes de instituições sugerem que o cliente deixe o dinheiro aplicado na poupança e contrate um crédito consignado para, por exemplo, trocar de carro. “Isso é comum e também um erro enorme. A poupança não vai render o que custa um empréstimo”, disse.

A servidora no Ministério da Saúde Valdiléia Carvalho, 28 anos, pensa em usar o crédito consignado pela primeira vez para a compra de um apartamento à vista, de R$ 100 mil. “Vou pegar R$ 60 mil com o banco para juntar com uma reserva que tenho”, contou. Para que as parcelas caibam no bolso, ela optou por financiar o débito por cinco anos.

O servidor no Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) Aírton Xavier, 36, pegou o mesmo tipo de crédito em abril deste ano para quitar outra dívida. “No ano passado, peguei R$ 36 mil emprestados para quitar meu veículo. Mas resolvi fazer outro empréstimo, de R$ 48 mil, para zerar o débito do carro e outros financiamentos, mais caros”, ressaltou. “Os juros do são mais acessíveis”, disse.

Fonte: Correio Braziliense

comente aqui

INSS muda regra para diminuir fraudes de empréstimos consignados

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) baixou uma norma para dificultar o que é conhecido ciranda do consignado: o aposentado ou pensionista pede o cancelamento de um empréstimo com o argumento de que se trata de uma fraude. Assim que o órgão suspende os descontos no contracheque, toma outro.

O aposentado agora só vai ter seu limite de endividamento liberado depois de o INSS confirmar se de fato houve fraude – o que pode levar até 60 dias.

Segundo o diretor de benefícios do INSS, Benedito Brunca, a maioria das denúncias de irregularidades não se confirmam – na verdade, a reclamação ao INSS só é feita para driblar a cobrança do empréstimo, por meio da suspensão dos descontos, e permitir a tomada de um novo crédito.

“Tomávamos pela boa fé que a pessoa de fato estava certa daquilo que reclamava. Então cancelávamos e devolvíamos a ela a margem consignável [ o limite de endividamento ]”, diz Brunca ao iG . “Aí, na prática, começaram a ocorrer abusos e as pessoas começaram a fraudar o sistema. E quando se provava que estava tudo regular, [ a pessoa ] já tinha contratado outro empréstimo.”

Nesses casos, quando descobria que o empréstimo era regular – ou seja, que a pessoa de fato feito a contratação do crédito – o INSS não conseguia restabelecer os descontos das parcelas. O primeiro prejudicado era o banco, que tomava o calote. Mas o aposentado ou pensionista também corria o risco de ser acionado pela instituição financeira para pagar a dívida.

Para Brunca, muitos aposentados são levados a entrar na ciranda sem tomar consciência das consequências.

“É expressivo o número de pessoas que estavam sendo induzidas a esse tipo de erro até por correspondentes bancários, intermediários e advogados”, diz.

De acordo com o INSS, a nova regra vale também para os descontos bloqueados por decisão judicial. Em maio, a corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) deu início a uma investigação para apurar o envolvimento de magistrados em fraudes destinadas a classificar empréstimos consignados como irregulares, para assim permitir o bloqueio do desconto das parcelas e a tomada de novos créditos.

O instituto também passou a impedir a tomada de crédito consignado logo em seguida à transferência do benefício de um banco para outro. Após a mudança, o beneficiário vai ter de esperar 60 dias para poder contratar um empréstimo.

Lançado pelo governo Lula (2003-2010), o crédito consignado do INSS permite que aposentados e pensionistas obtenham empréstimos a taxas menores do que outras linhas de financiamento pessoal. Hoje, são fechados aproximadamente 800 mil contratos por mês.

Fonte: Último Segundo (IG)

comente aqui

Demanda por crédito consignado tem alta de 29%

 

Em fevereiro, as contas do mecânico João Jorge Xavier da Silva, 64 anos, apertaram o seu orçamento. Como o faturamento da oficina que mantém não foi o suficiente para segurar todas as despesas, ele recorreu a um empréstimo consignado, tendo em vista que tem acesso ao recurso por estar aposentado há mais de 15 anos.

Morador de São Bernardo, Xavier contratou R$ 2.000 com a Caixa Econômica  Federal. “Vou pagar em 60 vezes. Aí é mamão com açúcar. Tenho essa oportunidade, então eu utilizo”, disse, lembrando que sempre que o orçamento aperta, ele recorre à modalidade.

Xavier integra o grupo de aposentados e pensionistas que contratou R$ 2,96 bilhões, em fevereiro, por meio de consignado vinculado ao Ministério da Previdência. O valor representa alta de 29% em relação ao mesmo período do ano anterior. E foi resultado de 1.365.287 operações.

As parcelas do consignado são descontadas direto na folha de pagamento. O acesso é exclusivo para beneficiários da Previdência e trabalhadores com carteira assinada.

No entanto, o professor de Economia da USCS (Universidade Municipal de São Caetano) Radamés Barone, orienta cuidado na contratação. “É preciso comparar taxas de juros e saber se realmente é necessário contratar o crédito.”

“Muitas vezes a pessoa aposentada destina o dinheiro para um neto, por exemplo. Aí esse parente perde o emprego, não paga, e o nome do avô é que será negativado”, explicou o acadêmico. Neste caso, constando no cadastro negativo, o consumidor será excluído do sistema de crédito brasileiro, o que dificulta o consumo.

Segundo o Ministério, as taxas de juros cobradas pelos bancos vão desde 1,8% (já considerando a redução anunciada pela Caixa nesta semana) ao mês até 2,39%. Mas a mais utilizada é 2,34%.

O valor médio por contratação no segundo mês do ano foi de R$ 2.174. A maioria dos recursos foi contratada pelos beneficiários com idade entre 60 e 69 anos e para liquidação entre 49 e 60 parcelas.

Fonte: Diário do Grande ABC

comente aqui

 
 

Crédito e cobrança