Dilemas do devedor honesto

Devedor honesto

Devedor honesto

Estar em débito não é algo fácil para quem tem sólidos princípios e, muitas vezes, um histórico de toda uma vida no cumprimento de suas obrigações. A palavra empenhada – para determinados empresários – é mais valiosa até do que qualquer documento escrito. Entretanto, não raramente a vida nos prega algumas peças e, em determinado momento, por circunstâncias das mais diversas, alguns empresários perdem o fôlego financeiro e não conseguem adimplir com suas obrigações. Ao serem cobrados, premidos por alguma dificuldade financeira, acabam por tentar quitar as dívidas de maneira atabalhoada, sem planejamento, pois querem “se livrar” dessa tormenta pagando suas contas e honrando compromissos.

Frequentemente, entretanto, o que acalma a consciência do empresário não é a melhor opção para a empresa. Nesses casos, ele deve ser convencido de que, para liquidar suas dívidas, muitas vezes é necessário renegociá-las, de maneira firme, para que as condições de pagamento caibam no caixa e a solução seja definitiva.

Os ajustes paliativos e pontuais – quando implementados – acabam por redundar num mal ainda maior, pois cria-se um círculo vicioso, no qual a confiança e a credibilidade são minadas – não uma vez como no caso de uma negociação mais rigorosa – mas várias e várias vezes numa sucessão de desgastes. Outra faceta dessa aversão à dívida se dá quando o empresário – ao contrário de buscar financiamentos para a aquisição de maquinários e ampliação dos negócios – acaba utilizando recursos do capital de giro para não ficar endividado.

Essa postura, além de ingênua, pode ser extremamente perniciosa, pois a imobilização de recursos e o investimento mal planejado são fatores clássicos de derrocadas empresariais. Para ser bem-sucedido – nos tempos atuais – o empresário deve estar informado de suas obrigações e se empenhar sempre para criar as condições de solvê-las e não agir de maneira precipitada sob o pretexto de atender sua consciência.

O tempo do voluntarismo puro ficou pra trás. É necessário ter ímpeto e senso de empreendedorismo, sim, mas no ritmo que o mundo anda, com exigências cada vez maiores, é fundamental ter-se o planejamento – inclusive de gestão – ao lado do ímpeto, formando assim o senso prático. O empresário consciente pensa no reflexo de sua conduta na saúde financeira da companhia e como pode saldar o que deve de maneira segura e planejada. Já o empresário que pretende atender em primeiro lugar a sua consciência, apesar de bem intencionado, não deixa de ser egoísta em alguma medida por preterir o interesse coletivo – da empresa – em prol do seu, particular.

Fonte: DCI

 

É verdade, devedor honesto é a regra. O devedor mal intencionado é a exceção. O problema é que o devedor desonesto causa enorme estrago nas finanças do credor. Por isso, devemos ser rigorosos no crédito ou firmes na cobrança.

Atualmente os consumidores jovens já não se sentem tão angustiados quando estão devendo. Em breve veremos reflexos deste perfil nas novas gerações de empresários.

Por isso, é importante sabermos para quem podemos estender a mão e flexibilizar a cobrança.

Qual sua opinião?

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Saudações,

Dr. Denis Siqueira 

 

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Inadimplência: como diferenciar a cobrança legal e a abusiva?

 

Cobrança abusiva

Cobrança abusiva

É fato que ninguém gosta de ser devedor. Uma das maiores dores de cabeça que o consumidor inadimplente possui é a de ser cobrado quase que diariamente da quantia em atraso. São várias as formas de cobrança: através de ligações, e-mails, cartas, mensagens de texto.

Mas como saber se essa cobrança extrapola os limites? Quando a cobrança começa a deixar de ser considerada legal e passa a ser abusiva? E quais são os direitos que o devedor possui na hora de ser cobrado?

O advogado Fernando Prado Targa é Coordenador da Comissão de Defesa do Consumidor, em Bauru. Ele explica que todo o consumidor, assim como a empresa que faz a cobrança deve se nortear pelo Artigo 42 do Código de Defesa do Consumidor. O artigo diz que, na cobrança de débitos, o consumidor inadimplente não será exposto a ridículo, nem será submetido a qualquer tipo de constrangimento ou ameaça.

Targa explica ainda que a lei protege o direito do credor de receber o valor que lhe é devido. “É considerada legal a cobrança de uma dívida que o consumidor contraiu e efetivamente não pagou por alguma circunstância alheia a sua vontade, como perda de emprego, e às vezes até por má fé deste mesmo em não querer paga-la e tem ciência de seu inadimplemento”.

Porém, é fácil identificar quando ela começa a ser abusiva. “É considerada abusiva, aquela dívida que está sendo cobrada ferindo o disposto do artigo 42 do Código de Defesa do Consumidor, ou seja, que expõe o consumidor, a constrangimento, ameaça, seja física ou moral, interferindo com seu trabalho, descanso ou lazer”, diz.

Afinal, a empresa pode fazer cobrança no trabalho?

A lei não impede o envio de correspondência lacrada para o consumidor no endereço que ele colocou em seu cadastro, seja ele comercial ou residencial, nem há problema em contatá-lo via telefone, contanto que a comunicação e a cobrança sejam feitas diretamente com o envolvido.

Dessa forma não é permitido deixar recado para algum colega de trabalho ou para um superior de que o consumidor está inadimplente. “Enviar cartas que mostrem no envelope serem de cobrança, ligar fora de horário comercial, procurar vizinhos ou parentes do devedor para tratar da dívida ou expor lista de devedores no estabelecimento comercial, também constam como cobrança abusiva”, explica Targa.

Se a pessoa se considerar lesada, o que fazer?

Dívida é problema, mas não uma vergonha ou razão para que o consumidor seja exposto ao ridículo. Se o consumidor tem dívidas, deve procurar cumprir suas obrigações da melhor maneira possível, mas de maneira alguma o consumidor pode e deve aceitar abusos e ilegalidades ao ser cobrado.

“Em uma situação de abuso, o melhor a fazer é procurar um órgão de defesa do consumidor ou um advogado de sua confiança. Registrar um boletim de ocorrência de abuso na polícia também é possível, já que muitos tipos de abuso na cobrança são considerados infrações penais. Além disso, o consumidor pode pleitear uma ação de indenização por danos morais, quando cobrado em valor excessivo, o consumidor lesado tem direito de receber o dobro do que teve que pagar a mais”, diz Targa.

Cobrança indevida

A vendedora Ana Carolina Padial Antônio passa por uma situação de cobrança indevida há quatro anos e até agora não viu seu problema ser resolvido. Ela mora em Agudos, interior de São Paulo, e conta que empresas de cobrança ligam para o seu número, cobrando dívidas em nome de pessoas que ela não conhece. “Já cansei de dizer que não é deste telefone, mas nada adianta. Procuram por Ariane, Salvador, Ricardo, quando moro só eu, meu esposo, Marcos Eduardo e meu filho de nove meses aqui”, reclama.

Ela relata que, por muitas vezes corre atender o telefone preocupada em ser alguma emergência, mas trata-se da cobrança. “Muitas vezes desligam na minha cara e não me deixam nem explicar a situação”, diz. Ana Carolina já ligou na empresa de telefone para saber se o seu número estava sendo clonado, porém isso não aconteceu. Ela trabalha com vendas e não pode mudar o número de telefone.

De acordo com o diretor presidente de uma empresa de cobrança de Bauru, Rodrigo Paschoalotto, quando não é possível o contato com o cliente por telefone, procura-se realizar visitas no endereço residencial, pesquisas em sites, redes sociais ou listas telefônicas. “Nosso objetivo é encontrar o devedor para poder negociar, afinal de contas ninguém fica feliz quando está devendo e todos têm o mesmo interesse que é acertar sua situação de inadimplência”.

Para a empresa a localização com certeza é a maior dificuldade em realizar uma cobrança e isso costuma acontecer em cerca de 30% da base que recebem para negociar. “É fato que isso atrasa o contato e os clientes deveriam ter uma maior preocupação com seus cadastros junto às instituições, para evitar esse tipo de situação”, diz Paschoalotto.

Para o advogado Fernando Targa o caso da vendedora se trata de uma cobrança ilegal ou indevida, já que o consumidor não contraiu a dívida, mas está sendo cobrado. Ele indica que o consumidor entre em contato com a cobradora, informando que não é o devedor cobrado e solicite que as providências sejam tomadas para que isto não volte a ocorrer.

“Se o problema persistir, o consumidor deve enviar uma notificação por escrito à cobradora com aviso de recebimento e com prazo determinado para cumprimento, solicitando que aquela cobrança indevida cesse sobre sua pessoa, pois caso contrário tomará as medidas judiciais cabíveis no resguardo de seus direitos”, indica Targa. Além disso, o consumidor pode entrar com uma ação de indenização por danos morais, por estar sendo submetido ao ridículo e cobrado por uma dívida que não é sua.

Fonte: G1 (Bauru e Marília)

 

É importante que nós, profissionais de recuperação de crédito e cobrança, saibamos quais são os limites impostos não só pelo CDC, mas, também tenhamos o senso do limite do razoável.

Além dos que foram citados na matéria, outros excessos também podem configurar uma cobrança abusiva, como por exemplo:

  • Repetidas ligações no mesmo dia, inclusive já tendo obtido sucesso de contato com o devedor nas ligação anteriores;
  • Os insultos e agressões verbais (típicos de quem não tem argumento para cobrança);
  • Fingir ser advogado (tática muito utilizada antigamente).

Na maioria das vezes o abuso na cobrança acontece devido ao puro e simples despreparo do cobrador. A falta de qualificação ou até mesmo de treinamento em cobrança força o profissional à usar as armas que conhece. E para o cobrador inexperiente ser rude e agressivo pode parecer ser o modo mais eficiente de cobrar dívidas.

É natural que o devedor, ao ser acionado, reaja de forma agressiva e desrespeitosa. Mas, responder da mesma forma não resultará em um acordo ou promessa de pagamento. Portanto, estar preparado para lidar com o devedor é fundamental. E isso somente se consegue com a experiência de muitos anos de cobrança, ou através do treinamento e qualificação dos cobradores.

 

Peço aos colegas que citem situações de cobrança abusiva que devem ser evitadas no contato com os devedores.

Aguardo sua participação.

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Saudações,

Dr. Denis Siqueira

 

 

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Nomes excluídos do SPC crescem 81%

 

Com a aproximação das festas de fim de ano e o pagamento do 13º salário, começou a corrida dos consumidores de Bauru para tirar o nome do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC). Segundo informações do órgão, em novembro, o número de pessoas na cidade que decidiram se livrar das dívidas para conseguir novo crédito cresceu 81,6% em comparação ao mesmo mês de 2010. 

Ao todo, 2.492 bauruenses renegociaram seus débitos no mês passado, ante os 1.372 acordos que foram firmados há um ano. O aumento surpreendente, conforme avaliam especialistas, não pode ser explicado somente em razão das comemorações natalinas, mas denotam o bom momento que o comércio deverá vivenciar na reta final de 2011.

“Nesta época, os consumidores querem ficar com o nome limpo para poder fazer compras. Mas, neste ano, tivemos um salto muito grande, impulsionado principalmente pelo interesse das pessoas em financiar imóveis e veículos”, avalia o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Sérgio Evandro do Amaral Motta.

O mercado imobiliário e automotivo bastante aquecido é resultado do bom nível de emprego e do aumento da renda média do trabalhador. E esta condição financeira favorável estimula o consumidor a regularizar pendências para, então, contrair novas dívidas.

“E os lojistas, de olho neste consumidor potencial, facilitam os acordos com redução de juros e parcelamento das dívidas. E também tem atuado junto às empresas recuperadoras de crédito, que trabalham em tempo integral, inclusive nas redes sociais, para cobrar estes devedores”, analisa o economista Reinaldo Cafeo, que também é presidente da Associação Comercial de Bauru (Acib). 

Embora as expectativas de vendas para o fim do ano sejam bastante positivas, até novembro deste ano 38.723 consumidores ainda permaneciam inadimplentes em Bauru, acumulando mais de 62 mil dívidas que totalizavam R$ 24 milhões. Atualmente, cada pessoa incluída do SPC possui, em média, um débito de R$ 620,57.

Compras à vista

O valor é bem menor do que a dívida contraída pela artesã Mônica Azevedo, 51 anos. Seu nome foi negativado há quatro anos por conta de contas não pagas que, hoje, somam R$ 7,5 mil. Mas, até o final do ano, ela diz que pretende quitar ao menos R$ 500,00 deste montante, referentes a duas parcelas atrasadas do financiamento de uma motocicleta.

“Gostaria muito de conseguir sair do vermelho para fazer as compras de Natal, mas não vai ser possível. As festas, desta vez, vão passar em branco. Mas quero trabalhar bastante para tentar ganhar um dinheiro extra e pagar pelo menos uma parte das contas”, comenta, ressaltando que está contestando parte dos débitos na Justiça.

O pedreiro Fernando Pedro da Silva, 54 anos, também está com o nome incluído no SPC, mas pretende garantir os presentes dos filhos realizando compras à vista. A intenção de sair da inadimplência, por conta de uma quantia de aproximadamente R$ 2 mil, será prorrogada para o início do ano que vem.

“É uma dívida já de algum tempo, que não consegui pagar quando tive de começar a trabalhar como autônomo. Antes, eu tinha carteira assinada e o dinheiro era garantido. Mas, já em janeiro, quero negociar, tentar reduzir um pouquinho o valor para ficar com o nome limpo”, destaca.

Ainda que os consumidores estejam otimistas quanto às possibilidades de sair do vermelho, a tendência para o próximo ano, segundo Cafeo, é de que haja um maior endividamento da população, o que é confirmado pelo SPC, que verificou aumento de cerca de R$ 100,00 no valor individual das dívidas desde o início do ano até agora. “A crise já chegou na indústria e, em breve, também deve atingir o comércio. Mas, até o final do ano, não devemos verificar nenhum efeito muito intenso desta condição econômica”, adianta.

Fonte: JCnet

 

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Cresce número de consumidores que acertaram dívidas vencidas

 

Aumenta o número de pessoas que quitaram as dívidas junto ao Sistema de Proteção de Crédito (SPC). Segundo dados divulgados pela entidade mantida em parceria entre a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e a Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Uberaba (Aciu), no mês de novembro, em relação a outubro, o número de pessoas incluídas no SPC que quitaram as dívidas aumentou 16,17%.

Com o pagamento da primeira parcela do 13° salário e festas de fim de ano chegando, antes de ir às compras os uberabenses estão preocupados em pagar as dívidas. Segundo os dados do SPC de Uberaba, o número de consultas aumentou em 6,4% em novembro, em relação a outubro. Por outro lado, o número de registro de cheques sem fundo diminuiu em 9,47%. Os resultados apontam também que o número de pessoas que quitaram suas dívidas aumentou em 16,17% e, quanto aos cheques sem fundo, 22,65% pagaram a conta.

Diante desses resultados, o presidente da CDL, Fúlvio Ferreira, explica que as pessoas aproveitam o pagamento da primeira parcela do 13° salário e do abono natalino para ficar em dia com os débitos, sendo que 70% deles resultantes de compras no comércio, especialmente em supermercados. Já em relação às compras de Natal, a expectativa para este ano é de que a situação esteja bem dividida, com parte dos consumidores optando pelo pagamento à vista e outra pelo pagamento a prazo, principalmente nas compras mais caras.

Além disso, segundo Fúlvio, o pagamento das dívidas não será um empecilho para as compras de Natal. “Pequena parte da população está com dívidas em atraso e preocupada em acertar este débito, mas a maioria da população está em dia com as contas. Portanto, esta é a grande parcela da população que vai comprar os presentes de fim de ano. O comércio já está aquecido. Somente na primeira semana de dezembro já foi possível perceber que o número de pessoas fazendo compras aumentou bastante”, explica.

Fonte: JM On-line (Uberaba-MG)

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Classe média pagará dívidas com 13º salário

 

A nova classe média brasileira pretende poupar apenas 16,6%, em média, do total de R$ 64 bilhões que embolsará de 13º salário. Pelo menos 53,9%, ou R$ 34,6 bilhões, serão usados para pagamento de dívidas. Outros 25% vão para consumo e viagens de fim de ano. Mesmo os trabalhadores com renda mais alta não economizarão tanto: no máximo, guardarão 22,9% da remuneração extra. A próxima sairá até 20 de dezembro. As classes A e B pretendem gastar 33,2% dos R$ 45,4 bilhões a que têm direito com compras e viagens. Pouco mais de um terço, 34,1%, vão para pagamento de dívidas.

Os dados são da Data Popular, consultoria que pesquisa o comportamento de consumidores. De acordo com o levantamento, as famílias das classes D e E estão mais sufocadas por dívidas e destinarão 55,7% do 13º (total de R$ 8,5 bilhões) para se livrar desses compromissos. Esses trabalhadores pretendem guardar apenas 4,9%, pois têm necessidades mais urgentes e salários menores. Por isso, vão gastar 37,7% do que têm direito (R$ 3,2 bilhões).

No total, o 13º salário será responsável pela injeção de R$ 118 bilhões na economia, dos quais R$ 34 bilhões serão pagos a aposentados e pensionistas. As contas foram feitas a partir de dados da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento foi realizado em novembro por meio de entrevista on-line com 5.003 trabalhadores em todo o país. Dos R$ 84 bilhões a que os assalariados ativos têm direito, 56,2% estão nas mãos da classe C. Os outros 36,1% serão embolsados pelas faixas A e B; e 7,7%, pelos de renda mais baixa.

Conforme a pesquisa, os brasileiros assalariados já receberam 6,3% (R$ 7,4 bilhões) do 13º antecipadamente por ocasião das férias ou por meio de financiamento bancário. As classes D e E só anteciparam 1,7%, pois ainda têm dificuldades de acesso a bancos e a empréstimos e, em geral, têm apenas até um ano de vínculo na empresa.

Fonte: Correio Braziliense

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