Duelo de bancos em pagamentos móveis

Os dois maiores bancos privados do Brasil, Itaú e Bradesco, anunciaram em 22/10/2013 avanços no negócio de pagamentos móveis, mostrando que a briga pela conquista de espaço nesse mercado é para valer. Junto com a “repaginação” da marca Redecard (a empresa de credenciamento de estabelecimentos e captura de transações com cartões do Itaú), o banco divulgou um dispositivo que permite transformar smartphones ou tablets em uma “maquininha” (Points of Sales, ou POS na sigla em inglês).

Já o Bradesco anunciou que sua parceria com a operadora Claro, que transforma o celular em um cartão pré-pago virtual, saiu do papel e já está em funcionamento em quatro cidades . Cada lançamento tem uma estratégia e visa um público diferente, mas ambos servem para marcar a presença das duas instituições num mercado com grande potencial de expansão.

O dono da Rede — novo nome da Redecard — mirou nos pequenos negócios, autônomos e empreendedores individuais, como dentistas, vendedoras de porta-a-porta, taxistas e personal trainers. Segundo o presidente da Rede, Milton Maluly, o segmento dos pequenos e médios negócios é o mais rentável—e é nele que a empresa espera crescer. Desde que fechou o capital, a credenciadora vem perdendo participação no mercado para os concorrentes – chegou a ter 45% e agora tem cerca de 37%.

“Quem mexe o ponteiro do market share são os grandes clientes (com faturamento anual acima de R$100 milhões),que ainda respondem por dois terços das nossas receitas. Mas ao mesmo tempo, a briga por preço deprimiu as tarifas. “Não estamos atrás de market share a qualquer preço”, diz Maluly. O dispositivo Móbile Rede, lançado hoje, vem se juntar a diversos outros concorrentes, a maioria deles não-vinculados a bancos . Maluly acredita que a vantagem do seu é, exatamente, ter a grande rede de distribuição e a base de clientes do Itaú e da Rede, com mais de um milhão de pontos de venda.

A vantagem, para quem recebe, é não pagar o aluguel das “maquininhas”. Mas o executivo admite que esse novo mercado é relativamente pequeno e acima de tudo, desconhecido. “Estamos testando”, diz. Por isso, acredita que a sobreposição em relação aos POS da Rede será irrelevante. Já o novo serviço do Bradesco em parceria coma Claro é voltado para o comprador, não para o vendedor. Será oferecido por meio da empresa MPO, operada pela Alelo, empresa do Bradesco e Banco do Brasil que administra cartões benefícios e pré-pagos.

Qualquer cliente da Claro pode optar pelo produto, que pode ser carregado em lojas da operadora, da Bradesco Express, por meio de boleto, transferência direta da conta-corrente de qualquer banco ou de outro celular com Meu Dinheiro Claro, explica Marcos Bader, diretor da Bradesco Cartões. Segundo o executivo, o público alvo em um primeiro momento são pessoas sem conta corrente. “Existe hoje no Brasil cerca de 55 milhões de pessoas não bancarizadas que movimentam R$ 650 bilhões por ano”, diz.

Mas Bader vê potencial além da inclusão financeira para o produto: “O dinheiro virtual logo estará para o dinheiro vivo como os Flintstones estão para os Jetsons”, brinca. “O chip é um parasita que carrega as funcionalidades de pagamento e hoje tem os cartões de plástico como seu principal hospedeiro; no futuro próximo, esse hospedeiro será o telefone celular”. O executivo explica ainda que o usuário pode pagar com os créditos carregados no Meu Dinheiro Claro em “maquininhas” da Cielo – a empresa líder de mercado e concorrente da Rede tem o Bradesco e Banco do Brasil como controladores.

O custo das transações são altos para a população de baixa renda: um saque, de qualquer valor, paga R$ 5. Mas Bader diz que o dinheiro volta como crédito do celular Claro. O produto está disponível em Belford Roxo, São João de Meriti e Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, e Goiânia, em Goiás – e não existe data para ser estendido a outras cidades. Bader diz ainda que o anúncio das duas novidades no mesmo dia pelos dois bancos concorrentes foi mera coincidência. “Seja como for, quem ganha com isso é o mercado, pois as duas empresas estão lançando produtos e serviços carregados de inovação e voltados a inclusão financeira.”

“Os dois compraram os tíquetes para entrar na festa; ninguém quer ficar de fora”, diz Boanerges Ramos Freire, presidente da Boanerges & Cia. Consultoria em Varejo Financeiro. O Banco Central deve soltar em breve um conjunto de normas para regulamentar a lei 12.865/2013, que entre outras coisas trata dos novos arranjos de pagamentos e pagamentos móveis.

A lei deu ao BC poder sobre empresas não financeiras, como operadoras de celular e empresas credenciadoras de cartões e emissoras de cartões pré-pagos e de benefícios. Os bancos estão correndo para garantir sua participação com protagonistas. Freire acredita que o congresso sobre inclusão financeira promovido pelo BC em Fortaleza no começo de novembro deve trazer alguma novidade. “O principal objetivo do BC será regular macroquestões, ‘usos e costumes’; só depois deve avançar para um entendimento mais profundo do setor”, diz Maluly, do Itaú.

Dispositivos que aceitam cartões em celulares avançam

A designer carioca Viviane Codeço, 32 anos, está satisfeita com o seu iZettle  - assim como o Móbile Rede, lançado ontem pelo Itaú,o dispositivo permite receber pagamentos com cartões pelo telefone celular. Desenvolvido pela empresa sueca em 2010, foi lançado no Brasil em parceria com o banco Santander, em agosto. “Funciona muito bem” – diz Viviane, que há dois meses decidiu estudar panificação e confeitaria e saiu do emprego para virar free-lancer – e também vender seus pães.

“Como dispositivo acoplado ao celular, Viviane aceitar cartões de crédito ou débito das bandeiras Visa e Mastercard, para qualquer venda acima de R$1. Como foi uma das primeiras, conseguiu no dispositivo e o aplicativo para o celular de graça – mas paga 6,75% por cada venda. O dinheiro é depositado em uma conta sua aberta no iZettle, cerca de cinco dias depois. 

O Móbile Rede cobra R$ 129 pelo aparelho e aplicativo; e uma taxa de 3,99% por vendas no cartão rotativo e 6,99% em compras parceladas, limitadas a três vezes. O pagamento é feito em 30 dias. O dispositivo aceita todas as bandeiras de cartões aceitas pela Redecard — Visa, MasterCard e Diners, além de várias menores. Há vários outros concorrentes no mercado. 

Boanerges Ramos Freire, presidente da Boanerges & Cia.Consultoria em Varejo Financeiro, lembra que o pioneiro nessa tecnologia foi a americana Square. No Brasil, o PagSeguro, da UOL, também investe em campanha de marketing para conquistar clientes. Outra concorrente é a PagPop. Criada em 2011, a empresa faturou R$1,5 milhão em 2012.

Fonte: Brasil Econômico

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Calote nos cartões é alto

Um em cada três brasileiros que parcela as compras no cartão de crédito não consegue pagar a fatura e dá o calote. Essa modalidade de crédito detém a liderança isolada no ranking de inadimplência elaborado mensalmente pelo Banco Central. Até julho, último dado disponível, os atrasos acima de 90 dias nessas operações chegaram a 34,8%, reflexo direto dos juros de até 600% ao ano cobrados de quem paga o mínimo da fatura e embarca na furada do rotativo. Tal inadimplência é cinco vezes maior que a média geral do mercado, de 7,2%

No cheque especial, cujas taxas superam 200% ao ano, os calotes também são elevados. Até julho, correspondiam a 7,9% das carteiras das instituições financeiras. Empréstimo pessoal não consignado apresenta inadimplência semelhante, de 7,6%. Já os débitos dos financiamentos de veículos, que levaram muitos bancos à bancarrota entre 2010 e 2012, devido a patamares altíssimos, hoje são de 6%.

Nova onda

Não há sinalização de que esse quadro possa melhorar. Pelo contrário. O alto endividamento das famílias e a escalada dos juros podem provocar uma nova onda de calotes no país. Mesmo com a queda da Selic, que durou um ano e meio, de julho de 2011 a março deste ano, o brasileiro não conseguiu sair do sufoco. Prova disso é que as principais linhas de crédito oferecidas pelos bancos ainda apresentam alta inadimplência, apesar da tímida queda verificada nos últimos meses. “Agora, com o aumento dos juros, a situação pode complicar ainda mais”, disse a economista Adriana Molinari, da Consultoria Tendências. 
Para ela, ainda que as dívidas não cresçam, a elevação da taxa básica pelo BC — que pode chegar a 10% até o fim do ano, conforme projeção dos analistas — significa, por si só, o fim do ciclo de queda da inadimplência no Brasil, que vinha sendo um alento para o consumo interno. “O nível de calote vai ficar estacionado. Não cai, nem sobe”, apostou.

Bola de neve

Como lembra o economista Arnaldo Curvello, diretor de gestão de recursos da Ativa Corretora, a situação é ainda mais difícil para quem já está com a corda no pescoço por causa de dívidas velhas, adquiridas quando o governo baixou o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de carros, móveis e eletrodomésticos para bombar o consumo interno. “Quando você pega qualquer tipo de indicador de dívida no Brasil, ele é ainda baixo se comparado a de países mais avançados. Mas a verdade é que o comprometimento de renda das famílias é bastante elevado, de quase metade da ganho disponível”, disse.Levantamento do BC mostra que até junho, o endividamento do brasileiro chegava a 44,82% da renda acumulada nos últimos 12 meses. “Isso é muito preocupante, porque mostra que o brasileiro já abre o mês com quase metade da renda comprometida com dívidas. Nesse caso, se a situação apertar, ele vai ter que recorrer a outro empréstimo bancário. É uma bola de neve”, comparou Curvello.

Soma-se a esse quadro o endividamento recorde das famílias e uma inflação que não tem dado sossego — neste ano, em nenhum momento, os preços ficaram abaixo de 6%, no acumulado em 12 meses. A consequência desse quadro é um crescimento do consumo menor que em anos anteriores. “Em linhas gerais, nós temos o consumo crescendo mais moderadamente. O mercado de trabalho também vai começar a desacelerar, mostrando um pouco a mais de desemprego, mas nada caótico. Só que isso tudo é muito ruim para o crescimento do país”, assinalou Adriana.

Nas contas dela, o ritmo de evolução do consumo das famílias no Produto Interno Bruto (PIB) será em média 2,3% entre 2013 e 2014. “Apenas como comparação”, ela disse, “entre 2008 e 2012, quando o governo adotou a maior parte dos estímulos como IPI e outras benesses fiscais, o crescimento médio do consumo das famílias foi de 4,8%, mais do que o dobro do ritmo atual”, ponderou. 

Fonte: Correio Braziliense

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Crédito garantido por venda no cartão vira nicho disputado

Em um ano em que o consumo patina, mas os pagamentos com cartões ainda crescem a taxas robustas, o sistema financeiro aumentou a aposta em linhas de financiamento que antecipam aos lojistas o recebimento dos recursos das compras feitas com o cartão de crédito. A competição pelos recebíveis de cartão do comércio é tamanha que as taxas dessas operações têm caído desde abril, mesmo com o Banco Central elevando o juro básico da economia.

Não é sem motivo que os bancos e as empresas que fazem o credenciamento dos estabelecimentos comerciais, como Cielo e Redecard, disputam a preferência do lojistas para fazer essas operações. A força da garantia dos recebíveis de cartão, que serve de lastro para a linha de crédito, faz dela o equivalente, na pessoa jurídica, do crédito consignado (com desconto em folha de pagamento) na pessoa física. Uma segurança que fez com que os bancos colocassem a modalidade na ponta da lança para oferta de crédito ao varejo de menor porte. E que explica por que as instituições financeiras vêm se desdobrando para simplificar a tomada desse crédito pelo comércio, na tentativa de atrair novos lojistas ou de aumentar o uso da antecipação por quem já trabalha com ela.

Em junho, segundo o Banco Central, a taxa média cobrada pelos bancos na antecipação de recebíveis de cartões era de 25,5% ao ano, cerca de seis pontos percentuais abaixo do que em igual período do ano passado (31,7%). Também é um juro menor do que o cobrado em abril deste ano (30,7%) e em maio (26,3%).

Estimativas de executivos do mercado de cartões dão conta de que pouco mais de um quarto das compras feitas com cartões de crédito no segundo trimestre foram antecipadas pelos lojistas por meio dos bancos ou credenciadoras, que também podem fazer essas operações. Em números absolutos, isso significa cerca de R$ 30 bilhões antecipados no período. De abril a junho, o volume financeiro total de compras com cartão de crédito foi de R$ 123,49 bilhões, avanço de 15,3% na comparação com o mesmo período de 2012.

No segundo trimestre, só os bancos desembolsaram R$ 9,35 bilhões em antecipação de faturas de cartões de crédito, segundo dados do BC. A cifra é 43,6% maior do que a apurada em igual período de 2012. Historicamente, os bancos respondem por 30% das antecipações e as credenciadoras – Cielo, Redecard e Santander -, pela maior fatia. Na Cielo, a única credenciadora a divulgar os volumes que antecipa, a cifra do segundo trimestre foi de R$ 10,58 bilhões, valor 71,7% maior do que o do mesmo período de 2012.

O Banco do Brasil lançou há poucos meses um crédito rotativo para empresas que usa os recebíveis de cartões como garantia. Como a empresa usa o que precisa no mês, o banco acaba pagando menos imposto e o crédito fica mais barato, afirma Asclepius Ramatiz Lopes Soares, gerente executivo de micro e pequena empresa do BB.

O BB tem usado a modalidade como parte da estratégia para ampliar a antecipação entre seus clientes. Tem selecionado empresas com domicílio bancário na instituição – que mantêm a conta corrente em que recebem os créditos de compras no cartão no banco – mas que não antecipam as faturas com o BB. No segundo trimestre, o estoque dessas operações avançou 5,5% na comparação com o primeiro trimestre, afirma Soares, sem dar detalhes sobre o desembolso no período. Na média dos bancos, o avanço do estoque dessa linha foi de 5,6%, para R$ 6,54 bilhões, no mesmo intervalo.

No caso do Santander, a antecipação tem sido o atrativo para fisgar novos correntistas entre pessoas jurídicas. “Para pequenas e médias empresas, é uma forma de encontrar uma taxa de juros que não consegue em linhas de capital de giro, por exemplo”, afirma Reinaldo Assunção, superintendente executivo do banco. O banco cobra entre 1,7% e 3,5% ao mês para antecipação, e consegue as taxas mais baratas o lojista que faz antecipação de forma automática.

Só o braço de credenciamento do banco espanhol antecipou algo próximo de R$ 4,7 bilhões no primeiro semestre. Com atuação concentrada em pequenos e médios lojistas, que costumam acessar mais a linha, a instituição chega a antecipar mais de 30% dos valores que captura na parceria com a processadora GetNet. Esses valores incluem apenas o que o banco antecipa no âmbito de sua credenciadora e não crédito que concede, por exemplo, com base na projeção do que o varejo deve receber com cartão no futuro.

A Cielo, por seu lado, tem conseguido fazer com que o grande varejo também recorra às operações de antecipação de recebíveis. “Nós continuamos a crescer no varejo e aumentamos bastante a penetração no segmento de grandes contas”, afirmou o presidente da Cielo, Rômulo de Melo Dias, na teleconferência de resultados trimestrais. Entre abril e junho, a credenciadora antecipou 16% do volume que capturou com lojistas. Um ano antes, esse percentual era de 10,5%.

A Cielo entrou nas operações de antecipação de recebíveis bem depois que sua rival, a Redecard, que não divulga mais seus resultados após fechar o capital. A Redecard, historicamente, antecipa cerca de 20% dos volumes que captura. Na Cielo, crescer em antecipação de recebíveis é uma forma de compensar receitas menores em outras frentes, já que a tendência das taxas de desconto cobradas de lojistas é de queda, graças à maior competição entre credenciadoras.

Do lado dos lojistas, a demanda por esse tipo de operação também ficou mais forte. “Em um cenário em que os bancos (em especial os privados) mantêm uma política de crédito mais restritiva em jogo, a antecipação pode ser a última opção de crédito para pequenos e médios lojistas”, afirmam analistas do Credit Suisse, em relatório.

No Bradesco, a carteira de antecipação de recebíveis avançou 10,3% em 12 meses, pouco abaixo do que cresceu o estoque de operações de micro, pequenas e médias empresas do banco (11,2% na mesma comparação). Assim como o BB, o Bradesco vem tentando aumentar o número de empresas com domicílios bancários na instituição, ao mesmo tempo em que automatizou a contratação da antecipação. “É uma linha com perfil de risco muito parecido com o do consignado”, afirma José Ramos Rocha Neto, diretor de empréstimos e financiamentos.

Fonte: Valor Econômico

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Programas de educação financeira levam ao uso planejado do cartão de crédito

O faturamento do mercado de cartões de crédito no Brasil vem crescendo a taxas anuais de dois dígitos. Em 2012, o gasto com esse tipo de pagamento chegou a R$ 479,5 bilhões, uma alta de 16,6%. O cartão de crédito também já responde por 17,5% do consumo das famílias e essa participação ainda deve crescer nos próximos anos. “No mercado americano, essa fatia chega a 45%”, diz Marcelo Noronha, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs).

Executivos do setor, no entanto, acreditam que o crescimento só será sustentável se for acompanhado de educação financeira e planejamento por parte dos consumidores. De acordo com o Banco Central, a inadimplência dos cartões de crédito de pessoas físicas, que já chegou a 8,9% em setembro de 2011, está em queda, e fechou o último mês de maio em 7,4%.

“A inadimplência está controlada”, diz Noronha. Ele atribui a queda ao aumento da consciência do consumidor. “Historicamente, o setor sempre teve um índice de inadimplência superior ao de outras modalidades, mas as pessoas têm ficado mais atentas para o uso responsável”, observa. Hoje, 72,1% das compras em cartão de crédito no Brasil são feitas na modalidade sem juros. Há dois anos, essa proporção era de 68%.

Isso não acontece por acaso. O setor vem investindo fortemente em iniciativas de educação financeira para estimular o uso consciente do produto. Desde 2005, a bandeira de cartões de crédito Visa vem atuando nessa área por meio do programa Finanças Práticas, como parte de sua estratégia no Brasil. Aplicado em 30 países, o programa já atendeu 20 milhões de pessoas em todo o mundo, e foi adaptado ao mercado local.

“Fomos mal compreendidos no começo, mas o programa ganhou mais impulso a partir de 2008, com a ascensão da classe C no país e a crise financeira nos Estados Unidos”, diz Sabrina Sciama, diretora de relações corporativas da Visa. Segundo ela, a crise provocada pelo subprime no mercado americano deixou ainda mais evidente a importância do uso responsável do crédito. “A crise americana provou que a falta de educação financeira pode levar uma sociedade inteira para baixo e que esse trabalho é vital para a saúde da economia de um país.”

Sabrina diz que inicialmente o foco do Finanças Práticas eram os adultos, mas com o tempo os esforços se deslocaram para as crianças e os jovens. “O adulto só procura a educação financeira quando já está no vermelho, e o que a criança aprende, ela leva para casa, e pode revolucionar a vida da família.”

José Renato Borges, presidente da Credz, acredita que a educação financeira é uma necessidade permanente e deve ser um componente presente em toda a operação das empresas de cartões de crédito, desde a oferta do produto e o treinamento dos parceiros ao pós-venda. A bandeira inaugurada em 2012 opera no segmento de cartões híbridos, com cartões de crédito com a marca de redes de varejo, mas que podem ser usados em qualquer ponto de venda atendido pela Cielo. “Qualquer ação isolada corre o risco de ficar só no oba-oba se você não trabalhar o tema de forma integrada. Não dá para ter, por exemplo, um programa de fidelidade que estimule o uso do cartão além do limite que o cliente pode suportar”, diz.

Fonte: Valor Econômico

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Cartões de crédito ameaçam cartões próprios do varejo

 

Os cartões de loja – chamados no mercado de “private label” – respondem pela metade do faturamento de grandes redes de varejo de confecções, como Renner, Riachuelo e Marisa. Mas essa participação vem caindo, ameaçada pela popularização dos cartões de crédito, que chega com mais facilidade às mãos do cliente cativo dessas lojas.

Para evitar essa queda, as varejistas buscam maneiras de não perder uma parcela importante do orçamento desse consumidor. Por isso, está cada vez mais comum os cartões de loja copiarem seus “primos ricos”, oferecendo clubes de vantagens para seus clientes.

Um produto que antes se firmava pelo crédito em si agora precisa se provar relevante para o cliente. A iniciativa mais recente de proteção do cartão de loja parte da Renner. Segundo a gerente geral de marketing da varejista, Luciane Franciscone, o clube de vantagens da empresa tem o objetivo de estreitar o relacionamento com a clientela. Como acontece nos cartões de crédito, será possível trocar pontos por prêmios, que vão desde descontos exclusivos nas lojas e antecipação de compra de coleções a ingressos para eventos.

Com mais de 20 milhões de clientes, o desafio do cartão da Renner é manter esse contingente todo ativo. “É comum que o cartão de loja, que só pode ser usado em um único local, acabe esquecido no fundo de uma gaveta”, diz José Renato Simão Borges, presidente da Credz, recém-lançada empresa da família Zogbi que busca transformar os cartões de loja em co-branded (que trazem uma bandeira que pode ser usada em todo o comércio).

Na Marisa, que tem 10,7 milhões de cartões emitidos, cerca de 80% não são usados com frequência. As outras redes não divulgam esse dado, mas o índice, segundo fontes de mercado, não é muito diferente. Por isso, uma das medidas do clube de vantagens da Renner visa justamente manter o cartão da loja dentro da carteira do consumidor. Segundo a gerente de marketing da empresa, algumas promoções podem ser relacionadas ao simples uso frequente do cartão, independentemente do valor da compra.

A Renner não é a primeira a criar um clube de vantagens para seu cartão. O Programa Amiga, da Marisa, oferece uma conversão relativamente simples. Para o cartão da loja, 4% dos valores comprados são convertidos em pontos; para o co-branded, que também pode ser usado tanto na Marisa quanto em outro estabelecimento, o cliente recebe 2% dos gastos em pontos. A cada 25 pontos, pode trocar por R$ 25 em produtos na Marisa.

Disputa

Esse tipo de estratégia se tornou necessária, admitem os lojistas, à medida que o cartão de crédito começou a chegar com mais facilidade à mão do consumidor. Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), o “dinheiro de plástico” já é usado por 75% dos brasileiros – em 2011, o índice era 68%. A associação projeta para este ano uma expansão de 21% nas transações com o meio de pagamento.

Com mais crédito disponível, o consumidor da nova classe média ficou menos dependente do cartão de loja, na opinião de Renato Meirelles, sócio-diretor do Data Popular, instituto que estuda a nova classe média. “Foi um processo de evolução. Primeiro as emissoras de cartão não aceitavam certos consumidores. Agora, isso mudou – e os limites oferecidos (para a classe C) estão bem maiores”, diz Meirelles.

O cartão de loja deve ser encarado pelos lojistas como mais uma opção de relacionamento com o cliente, na opinião do especialista. “O Magazine Luiza faz isso muito bem. Tem o cartão ouro e oferece condições especiais. Uma vez por ano, a loja abre só para quem faz parte do programa de relacionamento. É uma forma de mostrar que o cliente é bem visto pela empresa.”

Outra forma de criar vínculo com o titular do cartão de loja é pela oferta de produtos como consórcios, seguros e planos odontológicos. É o que faz, por exemplo, a Riachuelo por meio de sua financeira, a Midway. A operação tem peso importante para o Grupo Guararapes: representa cerca de 20% de sua margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortizações e depreciações). “Essa participação caiu um pouco no terceiro trimestre, por causa da inadimplência, mas deverá voltar ao normal logo”, diz o presidente da Riachuelo, Flávio Rocha.

As redes afirmam que o caminho para o cartão multiuso – com o nome da varejista e também uma bandeira de crédito, como Visa ou Mastercard – é a evolução natural deste mercado. A Marisa já repassou seu negócio de cartões co-branded para a Itaucard. A Riachuelo emite os cartões com bandeira em sua própria financeira. “Já temos 2 milhões emitidos e vamos crescer ao ritmo de 1 milhão de novas unidades ao ano”, afirma Rocha.

Fonte: O Estado de São Paulo

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