Contratar o crédito errado pode fazer o valor final da dívida triplicar em um ano.

Simulação mostra o impacto dos juros no valor final de um empréstimo de R$ 10 mil por um ano. O cartão de crédito prova ser a pior escolha: a dívida saltaria para R$ 29,3 mil, quase o triplo da quantia tomada.

Com as menores taxas de juros, empréstimo consignado – descontado direto da folha de pagamento – é o que menos pesa no bolso. Uma dívida de R$ 10 mil ficaria em R$ 11,2 mil após 12 meses.

As linhas de crédito com juros maiores, como o cartão de crédito e o cheque especial, devem ser usadas só em emergências e, mesmo assim, por pouco tempo –no máximo três dias no caso do cheque–, diz o planejador financeiro Oswaldo Sena.

Caso o consumidor perceba que não vai conseguir pagar o débito em pouco tempo, deve contratar um empréstimo pessoal ou um consignado (com juros menores), pagar o que está devendo no cartão ou no cheque e ficar, então, com uma modalidade de crédito mais barata.

“Mas a pessoa fica constrangida de ter de ir ao banco e pedir o dinheiro ao gerente porque está devendo e acaba optando pelo cartão ou pelo cheque especial, que são créditos mais acessíveis”, afirma Sena.

Superendividamento

E são justamente as dívidas com juros mais altos, que fazem o valor devido crescer mais rápido, as que podem provocar o superendividamento – quando o consumidor tem mais de 30% da renda comprometida com pagamento de prestações.

O superendividamento está no foco de uma comissão do Senado que quer tornar as instituições financeiras corresponsáveis pelo descontrole financeiro dos clientes que tomam crédito consignado.

O projeto, que propõe mudanças no Código de Defesa do Consumidor, deve ser votado na semana que vem pela comissão. Se aprovado, ainda depende de respaldo do Senado, em votação que deve ocorrer ainda neste ano.

Pelo projeto, o consumidor poderia ter, por norma, no máximo 30% de sua renda mensal líquida comprometida com o pagamento do consignado a um ou mais credores.

A proposta prevê que, caso o consumidor fique inadimplente tendo ultrapassado esse limite, os bancos tenham de rever prazos e reduzir juros e multas.

Levantamento da Boa Vista Serviços, administradora do SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito), realizado entre setembro de 2011 e maio deste ano, mostrou que, nesse período, 56,4% dos consumidores que limparam o nome voltaram a dar calote após 12 meses.

Para Natan Finger, fundador da consultoria financeira Private Pay, o primeiro passo para reorganizar as finanças é ter disciplina. Ele recomenda montar um orçamento com as despesas fixas – como aluguel ou prestação do imóvel, luz, água, telefone –  e as variáveis – restaurante, cinema, lazer em geral.

Gastos com matrícula escolar e impostos, como IPVA (imposto dos veículos) e IPTU (imposto dos imóveis), não devem ser esquecidos.

Fonte: Folha de São Paulo